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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Regime de leitura

Uma das coisas com a qual um seminarista precisa se acostumar é com a leitura. Afinal, não basta apenas ler a Bíblia para se conduzir um rebanho. Esta visão pode parecer polêmica, mas irei explicá-la.

Geralmente, considera-se o ministério pastoral como um ministério com três facetas principais: Pregador, conselheiro e administrador. Podemos ver estas três facetas já no ministério de Jesus Cristo, pregando a sua mensagem aos povos, aconselhando e orientando seus discípulos nos momentos de crise e administrando o seu processo de discipulado e manutenção do grupo durante três anos. Se considerarmos as diferenças da sociedade na época de Cristo e nos dias de hoje, podemos ver que as demandas por busca de conhecimento, por parte de um pastor, tornaram-se imensas. E como nenhum de nós é onisciente como Jesus, precisamos ler para acrescentar bagagem ao nosso ministério.

A quantidade de livros que um seminarista precisa ter, ao longo dos 4 anos de seu curso, varia de aluno para aluno. O motivo é simples: Cada aluno conhece sua capacidade, seus pontos fortes e fracos. Desta forma, quanto mais conhecimento o aluno entende precisar, mais ele precisará correr atrás deste conhecimento na enorme quantidade de livros disponíveis para ajudá-lo. Esta quantidade também costuma crescer ao longo do curso, pois a quantidade de aulas recebidas aumenta, a visão se abre para novas necessidades e, assim, as opções de leitura também aumentam.

Hoje, um aluno do Seminário do Sul não precisa se preocupar com a aquisição de muitos livros para estudar, pois a biblioteca David Malta Nascimento possui um incrível acervo de mais de 20 mil obras, todas voltadas para a área teológica. Porém, com o início do ministério, ou mesmo antes, é normal ver alunos criando verdadeiras bibliotecas com livros que despertam o seu interesse e o ajudam a trabalhar e crescer espiritualmente e ministerialmente.

Atualmente, meu regime de leitura está dividido em duas direções: A primeira se trata do meu trabalho de monografia, no qual estou estudando a relação entre a Igreja Cristã Protestante e o movimento nazista, movimento que marcou negativamente a história europeia da primeira metade do séc. XX. A segunda está sendo focada em livros sobre liderança, por vir sentindo falta de aprimoramento nesta área. Afinal, nem todos são líderes natos, ou pelo menos líderes na visão que conhecemos.

Cada um, com o tempo, descobre suas áreas de leitura. Já tive a chance de ler livros sobre teologia, aconselhamento, homilética, sociologia da religião e outros que estudam a igreja como está hoje e para onde estamos indo. Além disso, existem muitos outros livros na fila. Meu objetivo, hoje, é continuar mantendo este regime de estudos e crescendo em conhecimento, para minimizar as falhas que cometo hoje e que CERTAMENTE cometerei no ministério que Deus preparou para mim. Este também deve ser o objetivo de todo seminarista que deseja verdadeiramente ser uma ferramenta na obra de Deus.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Novo período - Velhas análises

Um dos motivos, ou talvez o principal motivo pelo qual eu preparei este blog foi mostrar o dia a dia de um seminarista batista. Uma das minhas motivações é mostrar que você não precisa ser um supercrente para frequentar o local, representar as crises que surgem com o estudo das Escrituras e apresentar curiosidades da vida na colina, como é carinhosamente chamado o local onde o Seminário do Sul está ambientado. Hoje, irei comentar brevemente sobre a grade curricular do curso de teologia do Seminário do Sul.

Uma das questões que salta aos olhos de quem procura se informar sobre a faculdade de teologia é a quantidade de cadeiras de ciências humanas que temos que enfrentar. Na faculdade de teologia do Seminário do Sul, tivemos a oportunidade de ter 4 períodos de Filosofia, 3 períodos de Sociologia, 4 períodos de Lingua Portuguesa e 1 período de Antropologia. Apesar do conteúdo das disciplinas ministradas poder ser motivo de discussão, creio que, nos dias de hoje, o estudo destas disciplinas é indispensável, por conta da conjuntura social e teológica atual.

É inegável que a sociedade atual é caracterizada por uma atitude individualista, competitiva, de valorização do prazer e de quebra de paradigmas de comportamento. Hoje, a juventude valoriza a farra, a festa, a balada, as bebedeiras, os relacionamentos fúteis e utilitários. Mais do que nunca, a beleza externa é mais valorizada do que a essência do indivíduo. Neste sentido, torna-se vital para um profissional que lidará com pessoas entender os mecanismos que norteiam a sociedade e, posteriormente, analisar profundamente a sociedade em que vivemos.

No caso da conjuntura teológica atual, podemos enxergar esta característica social dentro de nossas igrejas. O conteúdo deu lugar à forma. O que importa, hoje, não é mais a qualidade da palavra ministrada, mas sim o estilo em que é apresentada. A compreensão profunda do texto bíblico deu lugar à interação alienada da plateia com o "apresentador" do programa. Os versículos deram lugar aos bordões, enquanto os hinos profundamente teológicos deram lugar a inexpressivos cânticos criados nos moldes que a indústria fonográfica pede: Curtos, com muita repetição e fáceis de decorar.

Já fora das igrejas, vemos uma sociedade completamente secularizada, que não se conforma em viver sob regras impostas por um ser celestial no qual elas preferem não acreditar para poderem ter liberdade de agir como quiserem. Uma sociedade ateísta, que afirma que "Deus está morto", ou nunca existiu, apenas para poder dar vazão aos seus desejos mais profundos.

Neste sentido, como entender um estudo real e relevante de teologia sem estudar a sociedade em que vivemos? Ora, a igreja é formada por indivíduos que, de uma forma ou de outra, entram na igreja para buscar respostas para seus questionamentos mais profundos. Porém, tais pessoas tiveram e têm suas vidas moldadas por esta sociedade. Logo, somente compreendendo e estudando o mundo em que vivemos, conseguiremos entender os indivíduos que entram em nossos gabinetes como realmente são - Indivíduos afetados pela sociedade e que precisam compreender a si mesmos, a Deus e como interagir, como cristãos, com o mundo em que vivemos - e buscar formas de influenciar esta mesma sociedade de forma a atenuar o impacto da pós-modernidade em sua estrutura.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Uma metáfora sobre problemas

Hoje voltei para casa, após passar 10 dias em Araruama. Não há nada melhor do que poder passar alguns dias em outros ares, outras terras, conhecendo gente nova, igrejas novas, para clarear as ideias, abrir mentes e horizontes. Basta dizer que foi nesta viagem que surgiu o ímpeto para finalmente criar este blog, para vocês poderem imaginar o bem que esta viagem me fez.

Em todo caso, durante esta viagem ocorreu um grave acidente com um piloto brasileiro de Formula 1, Felipe Massa. O jovem rapaz, grande promessa do Brasil na categoria máxima do automobilismo mundial e que, por apenas um ponto, não se transformou em realidade no ano passado, sofreu um gravíssimo e bizarro acidente durante os treinos para o GP da Hungria, quando uma mola de 12 cms de comprimento e 800 gramas de peso, após escapar do sistema de amortecimento do carro de Rubens Barrichello, foi lançado contra seu capacete. Estando Felipe a 250 km/h, a mola atravessou parte de sua viseira, causando uma profunda contusão em seu olho que pode causar-lhe o encerramento da carreira.

Todos os especialistas afirmam que o acidente foi uma confluência de situações que são praticamente impossíveis de se repetir, tamanha a quantidade de variáveis envolvidas. Em todo caso, não pude deixar de alegorizar, pensar em uma metáfora para a situação, após notar que Felipe Massa, por muito pouco, não escapou da morte, pois a mola, tivesse atingido a cabeça de Felipe um centímetro pra bairro e outro pro meio, teria atingido a viseira em cheio. Perdoem-me, desde já, se tal metáfora parecer ofensiva a alguém. Porém, no campo da homilética (a arte de se preparar mensagens), isso é o que chamaríamos de uma ilustração.

Muitas vezes, corremos a vida em uma velocidade sem limites, querendo fazer as coisas de nosso jeito. No afã de realizarmos tudo de nossa maneira, não conseguimos enxergar os problemas que se colocam em nosso caminho. Nesta situação, as pequenas molas que são atiradas contra nós pela vida acabam tornando-se verdadeiros projéteis mortais, e quando vemos, já fomos atingidos por elas. O maior problema, porém, é quando a pessoa crê que nenhuma mola poderá afetá-lo. A Bíblia tem um nome para este tipo de pessoa. Leia Provérbios 14:16.

Existem algumas soluções que podem ajudar o homem a evitar ser atingido pelas molas da vida. Em primeiro lugar, ele pode diminuir a velocidade com que anda. Isso significa deixar o automático e parar para meditar nos caminhos que se está seguindo. Parar, ouvir, pensar, demanda tempo e decisões que são muitas vezes difíceis de tomar. Porém, esta diminuição de velocidade permitirá a você perceber com mais calma quando algum mal vier atacá-lo. Pv. 13:16.

Em segundo lugar, o homem pode buscar uma melhor proteção para impedir que as molas da vida o atinjam. Os capacetes, hoje, são muito mais fortes do que os produzidos há 30 anos. Para o cristão, a sua defesa contra as molas da vida são a verdade, a justiça, a paz, a fé, a salvação em Cristo Jesus e a sua Palavra. Efésios 6:14-17.

Por fim, o homem, para conseguir desviar das molas da vida a tempo, se não houver como desacelerar - como era o caso de Felipe, que lutava em uma competição para conseguir o melhor tempo em sua volta - deve confiar na proteção do Senhor, crer que Ele pode, com sua poderosa mão, deslocar as molas da vida o suficiente para impedir um ataque que possa destruir completamente a sua vida. Salmos 18:3, Salmo 91. E mais: O livramento pode ser completo ou não, cabendo ao homem buscar as respostas do porquê de tal livramento ter ou não acontecido. 2 Coríntios 12:7-10.

Felipe Massa foi abençoado por Deus neste sábado com uma nova chance de viver. Aquela mola poderia ter tirado sua vida, porém parece-nos que o piloto irá sair do hospital com sequelas em uma escala bem reduzida, talvez até zero. Talvez você tenha também sido livrado de algumas molas em sua vida. A pergunta-chave é: Quantas vezes você louvou a Deus por isso? E o que você tem feito para diminuir o impacto das próximas molas atiradas contra você pelo mundo?

sábado, 25 de julho de 2009

A Igreja local na sociedade

Vocês já pararam para pensar no papel da igreja local na sociedade em geral? Recentemente, li um livro de Bill Hybels, pastor da igreja Saddleback, nos EUA, uma das maiores igrejas no mundo. Ao longo do livro, o Pr. Hybels repetidamente colocou sua opinião de que "a igreja local é a salvação do mundo".

Esta colocação ficou martelando a minha cabeça durante muito tempo, mesmo após a leitura daquele livro, e pude meditar sobre a situação dos locais que frequento e convivo. Atualmente, vivo em um trânsito constante entre as cidades do Rio de Janeiro e Araruama, e o contraste é muito grande: Enquanto, no Rio de Janeiro, na região da Grande Tijuca você encontra uma pequena quantidade de igrejas, a grande maioria tradicionais, em Araruama, você encontra uma quantidade de igrejas imensa, com cerca de uma igreja para cada quadra do centro da cidade.

Ao meditar sobre esta distribuição, comecei a pensar: Estaria neste fato a grande diferença de comportamento dos moradores de ambas as cidades? Afinal, enquanto o Rio de Janeiro é conhecida por ser uma cidade selvagem, Araruama é uma cidade pacata, com pessoas bastante educadas e hospitaleiras. As pessoas parecem se respeitar mais em Araruama do que no Rio de Janeiro, ou pelo menos o princípio cristão do "amor ao próximo" parece ser melhor compreendido no interior do que na cidade grande.

Um dos motivos que suponho justificam esta questão é o fato do interior viver uma vida mais familiar. A grande parte dos negócios na região são oriundos de pequenas lojas e comércios geridos por famílias inteiras, o que torna a competitividade algo desnatural. A pressa não faz parte do cotidiano destas pessoas, que vivem em casas espaçosas, com quintais verdes e piscinas que ajudam a diminuir a intensidade do calor no verão. Prédios são quase inexistentes, e a lagoa ajuda a dar um visual quase marítimo para uma parte dos moradores, tendo em vista a cor azul de suas águas salgadas.

Neste estilo de vida familiar, sem pressa, as pessoas aprendem a se respeitar. Os valores cristãos de "amor ao próximo" não recebem o confrontamento diário que a sociedade capitalista das grandes cidades impõe. Devido a isto, a religiosidade torna-se atraente, criando espaços de convivência que aproximam estas famílias, aumentando ainda mais o sentimento de unidade na comunidade. Os próprios cristãos trabalham em espírito solidário, em regime de mutirão, para ajudar outros trabalhos e, assim, alavancar ainda mais o crescimento da obra de Deus na Terra. A palavra-chave deste cristão é "missão": Levar a Palavra de Deus e a salvação para o próximo.

Por outro lado, no regime da cidade grande, como no caso do Rio de Janeiro, o paradigma capitalista que permeia a sociedade e a violência acaba criando uma sociedade cada vez mais introspectiva, egocêntrica, voltada para os seus próprios interesses. É claro, esta visão varia muito dentro da própria cidade, tendo em vista que as regiões da periferia e subúrbio tendem a ter uma visão mais familiar e interiorana de convívio entre as pessoas. Basta ver a quantidade de igrejas em regiões da periferia nas grandes cidades.

Porém, especialmente nas regiões de classe média e alta, fica nítido como as pessoas se enclausuram cada vez mais em seus pequenos mundos, fugindo da violência urbana e, assim, refugiando-se de todos os perigos externos. A vida modular em pequenas unidades habitacionais em forma de apartamentos oprime o homem, que passa a ver seu lar como meramente um dormitório, um local de passagem entre este e o próximo dia de trabalho.

Neste universo, penso identificar uma religiosidade igualmente introspectiva, de busca incessante do homem por um contato com o divino, de busca por respostas para as ansiedades diárias impostas ao indivíduo. O "amor ao próximo" dá lugar ao "amor a Deus". O horizontal dá lugar ao vertical, e o "Ide" dá lugar ao "Vinde". Desta forma, a palavra-chave deste povo passa a ser "crescimento pessoal".

Neste sentido, então, me pergunto: Será este o motivo pelo qual os cristãos em regiões interioranas e periféricas se multiplicarem muito mais, ao contrário dos cristãos em regiões centrais e mais abastadas? Afinal, como pode um cristão pensar em evangelizar o próximo se ele nem consegue enxergar o próximo, estando plenamente ocupado consigo mesmo? É preciso uma mudança total de paradigma, uma luta hercúlea do homem cristão contra a natureza da sociedade onde vive, para assim poder observar as pessoas ao seu redor e enxergar as almas sofredoras, que caminham para a perdição eterna.

A pergunta, então, que me faço, é: Como a igreja pode ajudar e alcançar estas pessoas dos grandes centros urbanos? Como entrar na casa destes oprimidos e libertá-los de tão triste vida, a vida do amanhã como repetição do hoje? Como as igrejas de regiões de classe média e alta podem ajudar a abençoar suas regiões de atuação e ajudar a mudar a sociedade como um todo? Será isso possível, ou meramente uma utopia?

Se cremos em Deus Todo-Poderoso, devemos crer que há esperança também para este povo. Precisamos, como corpo cristão, encontrar os mecanismos de atuação que nos ajudem a alcançar tais pessoas. Que experiências vocês conhecem e que podem ajudar a vencer esta luta?

Introdução

Boa tarde, galera. Se você está lendo este texto, meus parabéns: Você tem uma paciência enorme e um espírito de caridade tremendo por sair de sua navegação normal e visitar este espacinho.

Explicando: Durante muito tempo, eu resisti à ideia de criar um blog só para mim, contendo informações e pensamentos sobre o que estava pensando, ou as aflições pelas quais estava passando. Entretanto, após um período de férias que tem me levado a repensar algumas questões de meu ministério, resolvi abrir este espaço para poder compartilhar algumas opiniões, visões e pensamentos que sempre assolam a mente de um bom seminarista.

Pra quem não me conhece, segue a devida apresentação: Meu nome é André, sou membro da PIB do Grajaú, no Rio de Janeiro, e sou estudante de teologia no Seminário do Sul, na cidade do Rio de Janeiro, onde atualmente curso o terceiro ano da faculdade. Atualmente estou de férias, aproveitando para colocar na ativa algumas ideias que tinha em mente, e pretendo usar este espaço como uma forma de expressão de pensamentos, opiniões, colocações ou desabafos, todos com uma vertente teológica.

O objetivo deste espaço é divulgar minha atividade acadêmica, como estudante de teologia, divulgar as atividades de minha igrejinha, colocar algumas mensagens que tiver a oportunidade de ministrar, ou simplesmente divulgar vídeos, imagens ou atividades de colegas e irmãos em Cristo que também têm, como eu, a missão dada por Deus de divulgar a mensagem do evangelho, de que Jesus Cristo veio ao mundo para sacrificar-se por nossos pecados, dando-nos assim acesso direto a Deus, à destra de quem está hoje assentado.

A vertente deste blog, teologicamente falando, será totalmente aberta ao diálogo. O meu objetivo não é cercear a opinião de ninguém, a não ser que venha a ser desrespeitosa a algum leitor ou à minha pessoa ou fé. Por ser um seminarista batista, sigo esta confissão de fé. Entretanto, qualquer assunto, desde que respeitosamente guiado, está aberto à conversa e à construção de um pensamento teológico contextualizado, que nos ajude, a você, leitor, e a mim, editor, a influenciar com nossos testemunhos, este mundo tão carente de Deus.

Espero que todos apreciem a visita e contribuam para que este espaço se torne um espaço construtivo na vida de todos. Abraços, e que Deus os abençoe.

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