quarta-feira, 29 de julho de 2009

Novo período - Velhas análises

Um dos motivos, ou talvez o principal motivo pelo qual eu preparei este blog foi mostrar o dia a dia de um seminarista batista. Uma das minhas motivações é mostrar que você não precisa ser um supercrente para frequentar o local, representar as crises que surgem com o estudo das Escrituras e apresentar curiosidades da vida na colina, como é carinhosamente chamado o local onde o Seminário do Sul está ambientado. Hoje, irei comentar brevemente sobre a grade curricular do curso de teologia do Seminário do Sul.

Uma das questões que salta aos olhos de quem procura se informar sobre a faculdade de teologia é a quantidade de cadeiras de ciências humanas que temos que enfrentar. Na faculdade de teologia do Seminário do Sul, tivemos a oportunidade de ter 4 períodos de Filosofia, 3 períodos de Sociologia, 4 períodos de Lingua Portuguesa e 1 período de Antropologia. Apesar do conteúdo das disciplinas ministradas poder ser motivo de discussão, creio que, nos dias de hoje, o estudo destas disciplinas é indispensável, por conta da conjuntura social e teológica atual.

É inegável que a sociedade atual é caracterizada por uma atitude individualista, competitiva, de valorização do prazer e de quebra de paradigmas de comportamento. Hoje, a juventude valoriza a farra, a festa, a balada, as bebedeiras, os relacionamentos fúteis e utilitários. Mais do que nunca, a beleza externa é mais valorizada do que a essência do indivíduo. Neste sentido, torna-se vital para um profissional que lidará com pessoas entender os mecanismos que norteiam a sociedade e, posteriormente, analisar profundamente a sociedade em que vivemos.

No caso da conjuntura teológica atual, podemos enxergar esta característica social dentro de nossas igrejas. O conteúdo deu lugar à forma. O que importa, hoje, não é mais a qualidade da palavra ministrada, mas sim o estilo em que é apresentada. A compreensão profunda do texto bíblico deu lugar à interação alienada da plateia com o "apresentador" do programa. Os versículos deram lugar aos bordões, enquanto os hinos profundamente teológicos deram lugar a inexpressivos cânticos criados nos moldes que a indústria fonográfica pede: Curtos, com muita repetição e fáceis de decorar.

Já fora das igrejas, vemos uma sociedade completamente secularizada, que não se conforma em viver sob regras impostas por um ser celestial no qual elas preferem não acreditar para poderem ter liberdade de agir como quiserem. Uma sociedade ateísta, que afirma que "Deus está morto", ou nunca existiu, apenas para poder dar vazão aos seus desejos mais profundos.

Neste sentido, como entender um estudo real e relevante de teologia sem estudar a sociedade em que vivemos? Ora, a igreja é formada por indivíduos que, de uma forma ou de outra, entram na igreja para buscar respostas para seus questionamentos mais profundos. Porém, tais pessoas tiveram e têm suas vidas moldadas por esta sociedade. Logo, somente compreendendo e estudando o mundo em que vivemos, conseguiremos entender os indivíduos que entram em nossos gabinetes como realmente são - Indivíduos afetados pela sociedade e que precisam compreender a si mesmos, a Deus e como interagir, como cristãos, com o mundo em que vivemos - e buscar formas de influenciar esta mesma sociedade de forma a atenuar o impacto da pós-modernidade em sua estrutura.

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