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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A dor do fracasso

Vou confessar uma coisa aos irmãos e colegas que encontraram este pequeno canto na internet: Eu ainda estou um pouco frustrado com minha reprovação na prova prática da autoescola. Apesar de já ter conseguido racionalizar tudo o que aconteceu, a dor por ter falhado na tentativa de tirar minha carteira de motorista permanece.

O que mais me dói, porém, é perceber que a minha dor, por algo tão minúsculo, me arrasou profundamente. No momento em que o examinador pisou no freio, foi um choque tão grande que foi como se eu tivesse recebido um tapa na cara. A dor pelo fracasso sofrido arrasou-me por 2 dias. Porém, como eu podia me deixar ficar tão triste por algo tão pequeno?

Hoje, vindo para casa, comecei a pensar em outra esfera, e lembrei-me que existem pessoas que estão passando por este sentimento em um ciclo vicioso do qual não conseguem sair. O problema está quando elas não conseguem mais enxergar a possibilidade de se libertarem da escravidão da desesperança, do medo e da acomodação. Este sentimento, o qual venci há 4 anos, ao sair de casa e começar o processo que me levou a perder 72 kgs de peso em 15 meses, voltou a mim de uma tacada só, fazendo-me questionar, por alguns instantes, se eu conseguiria, um dia, tirar minha carteira de motorista.

Ao perceber o quanto uma mera prova prática me afetou, percebi que havia experimentado algo que estava precisando sentir: O fracasso. O fracasso faz a pessoa voltar à terra, sentir-se novamente humilde, a faz pensar no que fez de errado e o que precisa consertar. Entretanto, não só o fracasso nos leva a pensar em como corrigir nossos erros, ele também nos deve dar forças para lutar por fazer algo ainda melhor da próxima vez. Em "As 21 Indispensáveis qualidades de um líder", em seu capítulo sobre "Atitude Positiva", John Maxwell cita a história de Thomas Edison, que testou 10 mil combinações diferentes de materiais para criar a primeira lâmpada incandescente. Ao contar sua história brevemente, o autor cita o inventor definindo sua postura frente às adversidades:

"Muitos dos fracassos da vida devem-se ao fato de as pessoas não perceberem quão próximas estavam do sucesso ao desistirem".

Foi em cima desta frase que percebi que precisava repensar todo o meu ministério, todas as coisas que vinha fazendo, a forma como vinha agindo. Também foi esta frase que me fez lembrar que aquela prova foi apenas a primeira, que ainda terei outras chances e que poderei melhorar minha direção para não incorrer mais no erro que cometi naquele dia.

Porém, além disto, pude sentir, por menor o grau que seja, a dor que muita gente sente em suas vidas quando fracassa em algo crucial para suas vidas: A dor do jovem que não passa no vestibular; a dor do casal que seguidamente não consegue ter filhos; a dor da mãe que descobre que seu filho foi preso ou morto devido à violência; a dor do profissional que é demitido após investir sua vida em uma carreira; a dor do pastor que vê seus filhos se desviarem do evangelho; a dor da senhora que se vê abandonada pela família...

Todas estas situações podem arrasar com uma pessoa, podem levá-la a um estado de depressão e de desesperança que a levarão a buscar respostas para suas angústias das mais diversas formas. Cabe a nós, pastores, profissionais formados para, dentre outras coisas, ouvir e atender às pessoas, entender a angústia desta pessoa e confortá-la, levando-a a novamente crer no poder sobrenatural de Deus e na esperança de uma vida eterna sem dor, choro ou mágoas com o Eterno.

Hoje, pude relembrar que a minha angústia pela reprovação na prova do DETRAN irá diminuir e acabar um dia, quando for aprovado na prova (sendo esta a vontade de Deus, é claro). Entretanto, pude também sentir que preciso estar mais atento às angústias daqueles que me rodeiam e sofrem com seus próprios fracassos, ajudando-os a voltar seus olhos para cima e relembrar do maravilhoso Senhor que morreu por nós para que tivéssemos nossos pecados perdoados e, assim, tivéssemos acesso direto a Deus.

Continuem orando por mim. Continuem orando por meu ministério, pois são tantas as áreas que eu preciso melhorar que nem sei como darei conta de tudo. Somente com a ajuda do Senhor, conseguirem vencer minhas limitações, disto eu tenho certeza. E continuem orando por nossa igreja, a PIB do Grajaú, para que Deus nos abençoe e nos ajude a abençoar a vida daqueles que nos rodeiam, sendo assim uma igreja relevante em nosso bairro.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Minha nova crise

O mundo é feito de provas. Desde criança, somos doutrinados que a melhor forma de avaliar o conhecimento de um aluno sobre determinado assunto ou matéria é através de uma prova, um grupo de exercícios que o aluno deve responder para provar que apreendeu o conhecimento passado pelo seu professor. Como perfeccionista que sou, é desnecessário dizer que odeio provas, pois é impossível você se lembrar de todo o conhecimento que lhe foi transmitido. Além disto, o conhecimento teórico só passa a ter valor real quando aplicável e aplicado no mundo em que estamos.

É por isto que, nesta segunda-feira, fiquei chocado quando fui sumariamente reprovado em minha prova de direção. Pode parecer besteira, mas a verdade é que eu nunca ficara tão chateado com uma reprovação em prova do que neste dia. E o motivo é simples: Ao contrário das outras, que eram provas teóricas de decoreba de conhecimento, a prova de direção é uma prova prática, onde você deve sintetizar todo o seu conhecimento adquirido para pilotar um automóvel em um breve percurso, que pode até ser fácil, porém que exige bastante atenção.

O motivo da minha reprovação foi simples, porém pode ser filosofado ao método de ensino de um aluno nas autoescolas: Mudando de faixa, não olhei o retrovisor e não vi um carro me cortando pela direita em alta velocidade. Tivesse eu visto o carro, eu teria provavelmente cruzado o percurso sem ser reprovado. Entretanto, ao quase bater no carro ao lado, forçando o examinador a freá-lo, mesmo não sendo culpa minha, descumpri uma norma que me fez merecer a reprovação.

O grande problema de minha prova, no dia, foi que eu basicamente me preparei para a prova prática de direção: Vi e revi um vídeo de um instrutor cruzando o percurso da prova, fiz o percurso no volante em um domingo de manhã, fiz dezenas de balizas ao longo de meses para fazê-la perfeitamente na hora. E, quando vi, fui vítima de um detalhe: Preparar-se para uma prova é diferente de saber dirigir.

A minha visão sobre a minha reprovação é simples: Os instrutores, após ensinarem o aluno a dirigir no trânsito normal, abstraem tudo o que foi ensinado e preparam o aluno apenas para a prova. Na parte da baliza, isso é perfeitamente aceitável, pois a baliza na aula é exatamente igual à baliza na prova: 7 balizas, 5,75m de distância. Entretanto, o trânsito NUNCA é igual, seja na hora da prova ou da aula. Por isso, ao fazer o simulado em um domingo de manhã, não me liguei (e também não fui devidamente lembrado) que haveria trânsito na hora da prova, dos alunos da universidade onde a prova é realizada (no câmpus do Fundão da UFRJ) e de profissionais das empresas que se situam no local. Logo, quando entrei na prova, foi natural eu mudar de faixa olhando displicentemente para o retrovisor, já que, para mim, não havia sido registrada a possibilidade de um maluco ignorante ultrapassando-me pela faixa errada da pista, cometendo assim uma infração grave que lhe caberia multa. Acidentes acontecem, diga-se por sinal, exatamente porque as pessoas não percebem que, no trânsito, a possibilidade de você encontrar pessoas bêbadas, drogadas, sonolentas, malucas ou simplesmente inexperientes atravessando seu caminho são enormes, o que te obriga a prever todas as possibilidades.

Pensando nisto, percebi que a melhor forma de instrução para a prova prática de direção deveria ter envolvido não apenas o trajeto, os pontos de mudança de marcha e os cuidados com carros estacionados, mas também os pontos críticos de onde outros automóveis poderiam surgir, em dias de trânsito normal. E pensando nisto, pensei no percurso da prova e listei VÁRIOS locais de perigo para o motorista que poderiam forçá-lo a tomar decisões ao volante que, se ele tivesse decorado completamente o trajeto a ser realizado na prova, com todos os seus pontos, mudanças de faixa e reduções de marcha, poderiam acarretar em manobras incorretas e reprovações merecidas.

Por isto, penso que uma instrução correta sobre a forma de se realizar a prova do Detran deveria envolver não só as marcações e o percurso a ser realizado, mas também os possíveis pontos de perigo que o aluno poderá enfrentar. Afinal, um dos lemas da Direção Defensiva é que o motorista deve se prevenir preparando o trajeto que irá realizar com antecedência, notando os pontos mais complicados para tentar prever possíveis problemas que possa encontrar.

Talvez, se tivesse sido instruído desta forma, teria sido aprovado. Ou não. Afinal, existem inúmeros fatores que envolvem uma prova, como examinadores carrascos e imperícia natural de pessoas inexperientes (meu caso) na hora de se realizar as manobras. Entretanto, esta reprovação valeu como lição para mim por três motivos:

1) Perceber que o retrovisor tem uma razão de ser no carro.
2) Perceber que malucos aparecem no trânsito quando você menos espera.
3) Perceber que simulado não leva em conta mudanças de trânsito e condições adversas da pista.

Espero que esta breve reflexão sirva para algum futuro candidato a motorista, para quem sabe podermos melhorar um pouco as condições de trânsito em nossa cidade, e ajudar algum colega reprovado a perceber que a reprovação em uma avaliação não é o fim do mundo, é apenas uma oportunidade para se melhorar a perícia e se ganhar mais experiência na condução de um veículo automotor. Quem sabe, também não ajude algum colega a ser aprovado na prova... :)

sábado, 22 de agosto de 2009

Exegese: A grande crise do seminarista

Nesta sexta, tivemos nossa primeira aula de Exegese do Novo Testamento. Esta área da teologia, para quem não sabe, é a mais polêmica dentro dos seminários teológicos hoje. O motivo é simples: O método mais usado para se fazer exegese dos textos bíblicos (o método Histórico Crítico) possui pressupostos e métodos que desagradam os mais conservadores.

O Método Histórico Crítico pressupõe que o texto bíblico é um texto literário escrito por homens em reação a um contexto histórico corrente. Nesta intenção, o método procura dissecar o texto em pedaços, analisá-lo parte por parte, tentando encontrar informações valiosas para sua compreensão, como o período que ele foi escrito, sua provável autoria e o motivo pelo qual o texto foi produzido.

O grande problema reside no fato de que este método, até hoje, encontrou apenas respostas que vão contra o que a tradição que nos foi passada informa sobre o próprio texto. De fato, algumas conclusões a que o método chegou vão de encontro com alguns textos do Novo Testamento, especialmente em questão de autoria do texto. Este acaba se tornando o principal motivo de crise do seminarista: Descobrir que algo em que você creu a vida inteira PODE não ser verdade é chocante.

O mais impressionante, porém, é que esta possibilidade bloqueia por completo alguns alunos, que, para se aferrarem à sua fé, rejeitam o método (e a ciência) por completo. Para estas pessoas, a tradição se tornou a base de sua fé, e atacá-la, mesmo com provas, torna-se coisa do maligno. Desta forma, ficamos com dois tipos de alunos em crise: Uns, vendo a base de sua fé (a tradição, e não a Bíblia) sendo destruída aos poucos. Outros, agarrando-se a seus pressupostos e combatendo de frente, de formas até mesmo grosseiras e levianas, todo um corpo de conhecimento que pode ser adquirido.

A verdade é que estas pessoas falham em perceber que a exegese, por si só, não é nada. A ciência exegese, quando se torna um fim em si mesma, é estéril, só serve para produzir informações acadêmicas. Além disso, dentro da exegese, existem diversos métodos além do Histórico Crítico que trabalham o texto bíblico, resultando em conclusões diferentes, que não se contradizem porque cada método analisa o texto com um determinado enfoque (por exemplo, o método Histórico Gramatical analisa a sintaxe do texto bíblico, estudando-o como se apresenta a nós).

Entretanto, é na utilização dos resultados desta exegese que surge o verdadeiro trabalho do pastor. O pastor precisa sempre compreender que sua audiência não vai à igreja para saber se determinado profeta escreveu ou não um texto bíblico, mas sim como aquele texto bíblico pode trazer luz e vida para seus problemas e angústias. Neste sentido, o pastor precisa aprender a estudar o texto bíblico e aplicar sua mensagem de forma que seu impacto seja sentido pela igreja, um impacto de transformação de vidas, e não de destruição da fé.

Por fim, vale notar que a exegese, por mais que seja uma ciência, não consegue chegar aos mesmos resultados. Mesmo aplicando-se métodos como o mHc, que dissecam o texto todo, existem problemas como a tradução a ser utilizada para determinada palavra. Como os textos bíblicos são escritos em idiomas não correntes hoje, cada palavra pode possuir várias traduções. Cabe ao exegeta ver qual utilizar, e é aqui que muitas vezes ocorre o problema, pois traduções divergentes geram resultados muitas vezes opostos.

Em suma, o fato é que a exegese jamais deveria ser motivo de crise para um seminarista. Afinal, por mais que um professor fale que um autor não existiu, ou um texto não está nos melhores originais, esta é a teoria corrente da academia, teoria esta que pode ser derrubada no futuro próximo. E não só isso: A exegese deve ser encarada como uma ferramenta para o pastor edificar sua igreja, através de uma mensagem melhor embasada e estudada, e não como uma máquina de destruição da fé da igreja.

Como ajudar uma igreja a crescer (ou a se reerguer)?

Nesta última quinta-feira, tivemos a primeira aula de Missão e Comunicação, com o Prof. Noélio, fonoaudiólogo e professor de universidades públicas. Após ministrar rapidamente sua aula, o professor começou a indagar os alunos sobre quais as maiores necessidades de nossas igrejas e como nós achávamos que poderíamos resolvê-las ou minimizá-las.

Isto imediatamente começou a me fazer pensar. Comecei a pensar no passado e no presente de minha igreja. A Primeira Igreja Batista do Grajaú já foi uma igreja muito forte, com cerca de 220 membros, número significativo para um bairro tão pequeno, geograficamente. Após sucessivos problemas, nossa igreja se viu reduzida a cerca de 110 membros e uma frequência dominical de 30 fiéis de manhã e 50 à noite, no final de 2008.

A primeira atitude tomada pela nossa igreja para uma busca de uma retomada de crescimento foi uma busca criteriosa por um homem de Deus para liderar nossa igreja. Tal busca nos levou a receber cerca de 8 pastores, levando-nos a ouví-los, orar e buscar a vontade de Deus para nós. Após um bom tempo, cremos ter feito a escolha certa ao convidar o Pr. Wellison Magalhães para ser nosso líder. Um homem de Deus, o Pr. Wellison mostrou-se um forte pregador, pastor e cristão, o que ajudou a dar um foco à igreja, novamente.

A seguir, buscou-se uma centralidade na Palavra de Deus para a igreja. Um detalhe bem curioso da aula foi que o Pr. Noélio afirmou que a leitura fixa muito mais os conteúdos apresentados do que a música. Desta forma, apresentando a forma do cérebro humano, ele notou que é pela falta de leitura que os pastores hoje controlam as massas, pois a leitura gera raciocínio, esta gera contestação e contestação gera debate, algo que os pastores hoje sempre querem evitar. A volta a uma mensagem mais bíblica fez com que os fiéis se fortalecessem mais na fé, ajudando-os a enfrentar os momentos de aflição.

Apesar disto, a PIB do Grajaú ainda enfrenta problemas, e foram estes que pensei sobre como resolver. Atualmente, nosso corpo de liderança é pequeno e não tem renovação. Por haverem poucos líderes, muitos possuem diversas atividades na igreja, causando uma sobrecarga nas pessoas, levando a conflitos e atividades realizadas apenas por realizar. Além disto, muitas pessoas com know-how para gerenciar as atividades da igreja deixaram nossa comunidade sem passar seus conhecimentos, causando um vácuo que fez com que muitas atividades não fossem realizadas com excelência ou fossem deixadas de lado (um exemplo claro é que nossa igreja não possui um coral há 3 anos e não possui um coral misto fixo há mais de 5 anos, com a saída da antiga ministra de música).

Pensando nisto, fica claro que o trabalho para reerguimento de uma igreja nesta situação passa pela criação, busca e capacitação de novos líderes. O trabalho é de longo prazo, porém absolutamente necessário para o sucesso da igreja. Em nossa igreja, eu trabalharia em algumas frentes:

1) Um curso de liderança, buscando melhorar a capacitação dos líderes atuais da igreja.
2) Análise da membresia, em busca de novos líderes em potencial, incentivando-os para participar do curso acima.
3) Criação de uma biblioteca, bancada pela igreja, para fornecer literatura de apoio para capacitação dos líderes, em suas diversas áreas.
4) Trabalho de "mentoria estratégica", com líderes reunindo-se semanalmente com seus liderados para fomentar o intercâmbio e a socialização do conhecimento.
5) Sustento de obreiros que possam contribuir imediatamente para os trabalhos da igreja (ministro de música, estudantes de teologia, pedagogia e missões).
6) Reorganização das atividades da igreja, buscando minimizar a quantidade de atividades de cada líder para maximizar seus resultados.

Se todas estas áreas fossem trabalhadas com força, eu creio que poderíamos avançar tremendamente na organização de nossa igreja e, a partir daí, poderíamos direcionar todos os nossos esforços para alcançar nosso bairro para Jesus.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Falsos profetas: O que os caracterizam?

Uma pequena analogia, para estudo, meditação e comentário: Comparem Dt. 13:1-4 e 18:20-22 com Mt. 6:24. Sabemos que, em Mt. 6:24, o termo 'Mamon' significa riquezas. Neste sentido, podemos julgar aqueles que pregam a Teologia da Prosperidade como sendo falsos profetas? Complemento deste comentário em breve.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Por uma teologia coerente

Terça-feira foi um excelente dia de estudos no seminário. Uma das aulas foi de Tópicos Especiais em História, ministrada pelo Prof. Osvaldo, onde estudaremos a História da Interpretação da Bíblia ao longo dos tempos. Estaremos iniciando nossos estudos com os temas Alegoria grega e Midrash judaico, conhecimentos essenciais para entender-se profundamente a formação do evangelho de Mateus.
A segunda aula, ministrada pelo Prof. Delambre, será de Teologia Sistemática. Durante a aula, uma excelente discussão surgiu: O que seria uma teologia coerente? A argumentação foi sobre até onde o teólogo pode se posicionar diante de uma outra teologia, contestando-a ou comentando-a.
A discussão levantada notou que os teólogos, hoje, pecam pela falta de coerência em suas interpretações. Afinal, em alguns momentos usa-se uma forma de interpretar o texto bíblico e, em outros momentos, usa-se outra forma totalmente diferente, para poder justificar a formação da confissão de fé daquela comunidade. Quando pensamos sobre isso, o fato é que tal tipo de teologia não pode ser considerado coerente, por haver conflitos metodológicos: Interpretar alegoricamente ou literalmente conforme os interesses da liderança ou da comunidade não é algo honesto a se fazer.
Além disso, foi levantada uma outra questão, a motivação por trás da formulação de determinada teologia. Houve uma comparação entre os pastores que pregam uma Teologia da Prosperidade em cima de versículos isolados com os pastores que condenam o ministério feminino em cima apenas dos textos das cartas paulinas ou de argumentos circunstanciais sobre a formação do grupo de discípulos de Jesus Cristo. A questão levantada é que não existiria diferença entre os dois pastores em sua incoerência, apenas uma diferença de grau, pois enquanto uns assumem estarem usando a teologia para seu próprio benefício, outros o fazem porque honestamente creem ser a correta interpretação da bíblia.
Quando paramos para meditar sobre o estado da igreja evangélica hoje e da teologia que é produzida, vemos que, de fato, a afirmação acima faz sentido. Falta uma formação teológica mínima para os nossos pastores, que permita a eles entender realmente o que o texto bíblico queria passar na época em que foram escritos. Na ânsia de adaptar a mensagem e trazê-la para os dias atuais, as lideranças levianamente ignoram algumas passagens e exaltam outras literalmente ou alegoricamente, rechaçando a todos os outros como sendo "hereges" ou estando "fora da visão profética" do líder. Com isso, cria-se uma grande e confusa "salada de teologias" que acaba confundindo a cabeça dos membros mais novos e de pessoas interessadas no evangelho.
Para combater esta situação, podemos pensar em inúmeras soluções. É claro, diferenças de opinião quanto à interpretação bíblica sempre existirão. Entretanto, todas as soluções a serem pensadas devem sair de uma mesma raiz: O princípio da coerência na interpretação. Para alcançar este objetivo, é necessário considerar-se, no momento da análise textual:
1) Compreender seu contexto histórico.
2) Entender as formas verbais e textuais que compoem o texto.
3) Analisar os textos vizinhos da perícope analisada, buscando visualizar o contexto geral da mensagem passada.
4) Considerar a tradução mais usada na análise do texto original (não se fiar apenas às exceções ou traduções obscuras).
5) Levar em consideração toda a mensagem do livro ou dos diversos livros do autor.
Somente com uma coerência metodológica na hora de se entrar no texto bíblico, será possível extrair uma teologia também coerente do texto. Sem uma metodologia coerente, a teologia formada será sempre escrava das intenções do seu proponente, viciando o texto bíblico com a visão que este proponente quer passar. E isto não é teologia séria; é manipulação das massas!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Começo de período - Parte 2

Uma das melhores coisas de voltar às aulas é reencontrar os velhos amigos da faculdade. Uma das coisas menos compreendidas em um seminário é a camaradagem formada entre os alunos que estudam no local. São vários os fatores que levam à usual união entre os alunos de um seminário teológico.

O primeiro, e mais comum, é o internato. No Seminário do Sul, existe um internato com vários prédios, permitindo que dezenas de alunos compartilhem acomodações. Cada aluno solteiro compartilha o quarto com um colega, em um estilo de vida bem americanizado. Além disso, existe um campo de futebol ao lado dos alojamentos e uma sala de jogos ao lado do campo, o que só facilita a interação entre os alunos. Ou seja, nas horas vagas, a galera se vê constantemente.

Em segundo lugar, as turmas pequenas ajudam bastante a integração entre os alunos. Lembro-me da época na UFRJ, onde cheguei a ter aulas em turmas com 60 alunos. Em turmas deste tamanho, é impossível conversar com todo mundo. No Seminário do Sul, as turmas flutuam entre 20 e 40 pessoas, facilitando tremendamente o contato entre os alunos antes, durante e depois das aulas.

Os objetivos comuns também ajudam na integração da turma. Cerca de 80% dos alunos do Seminário do Sul têm o chamado para o Ministério Pastoral. Por isso, os assuntos nas conversas de cantina costumam gravitar entre a vida dos alunos nas igrejas, trabalhos a fazer, projetos, eventos, intercâmbios, etc. As experiências vividas por cada aluno em seus campos de atuação trazem ideias novas para cada um, tornando o papo bem interessante e edificante. (Claro, existem os momentos de bobeira também, mas estes a gente não conta aqui para não queimar o filme. Rsrsrsrs).

Por fim, as dificuldades enfrentadas pelos alunos para conseguirem manter-se no seminário também tornam-se um fator tremendo de união entre os alunos. Mais de 50% dos alunos de minha turma não são internos, o que faz com que a locomoção para o seminário torne-se cansativa. Isto, somado com a carga de trabalho diário que muitos enfrentam, faz com que os colegas de turma se aconselhem, se fortaleçam com palavras de esperança e experiência.

Para se ter uma ideia do escopo deste problema, em minha turma existem três alunos que moram em São Gonçalo e um que mora em São João de Meriti. Os esforços destes alunos para trabalhar, ir pro seminário e depois ir para casa, enfrentando esta luta novamente no dia seguinte, é tremenda. Quase não lhes sobra tempo para estudar, até por conta de suas responsabilidades nas igrejas. Neste sentido, os alunos acabam passando mais tempo com os colegas de turma do que com suas famílias.

Apesar de todas as dificuldades, a vida de um seminarista é extremamente gratificante. A quantidade de conhecimento que você adquire é absurda, ultrapassando o ambiente da sala de aula. O conhecimento adquirido é um conhecimento benigno, de transformação de vidas, de esperança, de força de vontade. No irmão, você se espelha para lutar e conseguir avançar no curso. No final de cada período, o sentimento de dever cumprido alimenta seu desejo de querer rapidamente aplicar seus conhecimentos na comunidade em que se trabalha.

Nos próximos meses, eu pretendo comentar mais sobre a vida no seminário. Afinal, o sentido deste blog é este. Até a próxima.

Começo das aulas

Ontem reiniciaram as aulas no Seminário do Sul. Para quem não sabe, o Seminário do Sul é uma casa antiga de teologia, tendo feito 101 anos de fundação neste último mês de março. De lá para cá, foram levas e mais levas de pastores, teólogos e doutores sendo formados. Hoje, há pastores formados pelo Seminário do Sul em todos os cantos deste país, e certamente é uma casa da qual tenho profundo orgulho.
Este período (meu sexto período no seminário) terá matérias muito interessantes. Às segundas, teremos aulas de História do Cristianismo V e Aconselhamento Pastoral I. Às terças, teremos aulas de Teologia Sistemática II e Tópicos Especiais em História. Na quarta, Fenomenologia da Religião e História de Israel. Na quinta, teremos Missão e Comunicação, além de Estágio V e Tópicos Especiais Livres (este período com uma disciplina especificamente voltada para a área de Ação Social). Por fim, na sexta, teremos aulas de Tópicos Especiais em Ciências Humanas e Exegese do Novo Testamento.
Uma das várias críticas feitas ao Seminário do Sul, por parte dos alunos, é a quantidade de matérias por período. De fato, na maioria das faculdades, a quantidade de matérias não passa de 7 por período. Os alunos do Seminário do Sul enfrentam 11 matérias garantidas por período, o que nos sobrecarrega um pouco na hora das avaliações. Entretanto, a grade deve ser melhorada quando sair o reconhecimento do curso, em breve, e isso irá permitir que a situação fique melhor equacionada para os alunos. Para quem já chegou ao terceiro ano, como eu, esta carga já se tornou rotineira. :)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Mensagem do Congresso Jovem da SIB do Grajaú - 15/08/2009

Fala, pessoal. Como prometido, segue o esboço de minha mensagem ministrada na SIB do Grajaú, no último sábado. Não é um primor de homilética, mas foi como achei que deveria dividir, por ser uma mensagem temática. Abraços, Deus os abençoe.

Mensagem 24: Palavras de vida eterna vs. Palavras do mundo

Texto base: João 6.60, 66-68.

60 Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? 66 À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. 67 Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? 68 Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna;

Frase base: Para ser um jovem que faz a diferença, primeiro é preciso ser um jovem diferente. Para ser um jovem diferente, é preciso ser um jovem que retém as palavras de vida eterna e descarta as palavras do mundo.

Palavras do Mundo: Situações, questões, decisões IMPOSTAS PELA SOCIEDADE como regra a ser seguida, sob pena de segregação. Tido como LEGAL, MANEIRO.
Ex.: Pra que casar cedo? Aproveite bastante a vida com as mulheres quando jovem e case-se quando você se cansar... SE cansar.

-As Palavras do Mundo DESTRÓEM a vida espiritual de um crente, afastando-o de Deus (O que aconteceu com os outros discípulos? Perderam a grande oportunidade da história, de conhecer as Palavras de Deus do seu próprio filho!!)
-As Palavras de Vida Eterna FUNDAMENTAM e RESTAURAM a vida espiritual de um crente, aproximando-o de Deus (A antiga religiosidade legalista judaica dá lugar a uma religiosidade cristã do amor)

Palavras do Mundo:

- “Os pais são quadrados”. (QUADRADICE PATERNA)

Causam: Destruição familiar, falta de sabedoria, entrega às outras palavras.
Motivo: Os pais são os mais interessados em preservar os filhos do mal.
Hoje: Os filhos ignoram os pais. Para não perder os filhos, os pais se dobram às suas vontades e jogam a culpa na sociedade.

- “O que importa é o agora”. (IMEDIATISMO)

Causam: Hedonismo (culto ao prazer), imediatismo, ignorância sobre pecado e vida com Deus, falta de compromisso.
Motivo: O inimigo quer impedir que o jovem veja a fragilidade da vida e entregue sua vida a Jesus cedo.
Hoje: Muitos profissionais não conseguem entrar no mercado de trabalho porque querem entrar por cima, ganhando salários irreais para sua posição (ILUSTRAÇÃO: notícia da Folha Online de analista de RH que diz que não consegue preencher as 20 vagas de trainee de sua empresa, apesar de ter recebido mais de 10 mil currículos porque ninguém quer começar trabalhando ganhando pouco para, posteriormente, galgar posições na empresa. Todos querem começar por cima, ganhando muito, tendo função gerencial ou até mesmo começar trabalhando em áreas internacionais).

- “Vale tudo para conseguir dinheiro”. (GANÂNCIA)

Causam: Consumismo, vontade de ganhar dinheiro a qualquer custo, sem esforço, sentimento de inferioridade.
Motivo: A sociedade impõe que uma pessoa só pode ter seu valor medido pelo que ela tem, e não pelo que ela é.
Hoje: O mercado que mais consome roupas de grife, por exemplo, é o de classe média baixa (ILUSTRAÇÃO: Shopping mais lotado do Rio: Norte Shopping).

- “Eu venho primeiro do que o outro”. (INDIVIDUALISMO)

Causam: Autoritarismo, egocentrismo, competitividade.
Motivo: A sociedade capitalista tem como premissas a vitória do mais forte, do mais capacitado, e o lucro a qualquer custo. Para subir na vida, deve-se ignorar os outros, até mesmo pisar neles, para avançar postos.
Hoje: Religiosidade internalista, de evolução espiritual pessoal. Não se fala mais de amor ao próximo, comunhão (ILUSTRAÇÃO: Qual foi a última música de sucesso nas rádios que falou de comunhão com o irmão, amor ao próximo ou sacrifício pelo outro?).

- “A vida é curta, logo devemos aproveitá-la ao máximo”. (HEDONISMO – culto ao prazer)
- “Deixa de ser careta” (CARETICE)

Causam: Sexualidade precoce, bebida, drogas, fumo, malícia (palavrões), vida em velocidade máxima.
Motivo: Na ânsia de querer pertencer a um grupo, o jovem se molda ao mundo, adotando seus valores e evitando influenciá-lo com seus valores, por medo de ser isolado do grupo.
Hoje: A permissividade da religiosidade protestante moderna tem levado a muitas aberrações, onde as pessoas vivem uma vida santificada no domingo e, durante a semana, vivem suas vidas totalmente desregradas (ILUSTRAÇÃO: Adolescentes que dizem que só irão se batizar quando se tornarem jovens, adultos ou velhinhos).


Palavras de Vida Eterna para combater as Palavras do Mundo:

Contra QUADRADICE PATERNA:
Pv. 13.1: O filho sábio ouve a instrução do pai, mas o escarnecedor não atende à repreensão.

Contra IMEDIATISMO
Pv. 27.1: Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz.
Ec. 3. 1-2: 1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: 2 há tempo de nascer e tempo de morrer;
Mt. 6.34: Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.

Contra GANÂNCIA
Lc. 16.13: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Contra INDIVIDUALISMO
Mc. 12.28-34: 28 Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? 29 E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. 31 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. 32 E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele; 33 E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. 34 E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada.
Jo 15.12: O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.

Contra HEDONISMO, CARETICE
Mt. 5. 13-14: Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte;

A guerra das TVs e suas consequências

Nesta última semana, a antiga guerra entre a Rede Globo de Televisão e a Igreja Universal do Reino de Deus foi reacendida, devido à ação do Ministério Público contra a IURD e sua liderança, sob a alegação de que a liderança da IURD teria desviado recursos de dízimos dos fiéis da igreja para a aquisição de bens pessoais, como a Rede Record de Televisão, hoje a maior concorrente da Rede Globo e que está em nome de pessoas físicas.

Quem observa esta guerra, não costuma ficar sem opiniões formadas. Os donos da Universal (sim, porque a IURD possui "donos", e não "líderes") acusam a Globo de ser a arma de Satanás para destruí-los, levando seus fiéis a crerem da mesma forma. Já a população crítica não consegue deixar de perceber a intenção por trás do ataque da Rede Globo, ao tentar desestruturar a Record e, assim, diminuir o impacto da concorrência na guerra de audiência.

Entretanto, apesar dos jogos de interesses dos dois lados, não é difícil perceber que, apesar de ambos estarem agindo com motivações erradas, isso não apaga o impacto extremamente negativo que a IURD possui na sociedade brasileira. A IURD tornou-se o protótipo da igreja protestante brasileira, uma igreja interesseira, que vende Deus por alguns tostões, manipulando o Todo-Poderoso como se ele fosse um mero despachante celestial das ordens impostas pelos desejos egoístas e capitalistas do povo. Toda igreja protestante brasileira passa a ser vista, pelos leigos, como uma empresa onde o pastor extorque espiritual e financeiramente os membros da igreja para entesourar seus ganhos e aumentar o poder humano da igreja.

O mais impressionante da IURD, porém, é como a ostentação e o luxo alcançado pelos líderes da igreja afeta POSITIVAMENTE os fiéis da igreja: Conforme sua teologia (uma mistura de Teologia da Retribuição e Teologia da Prosperidade bombada a esteroides de marketing e técnicas empresariais), a salvação começa a ser desfrutada na Terra, através dos ganhos materiais. As riquezas tornam-se o atestado principal de proximidade da pessoa com Deus (além de saúde e estabilidade de vida). Desta forma, a riqueza alcançada pelos líderes da Universal torna-se motivo de ORGULHO para os membros desta igreja (e de outras de mesmo cunho teológico, como a Igreja Renascer). Ou seja, com a cobertura da mídia exibindo as posses da liderança da IURD, a Globo consegue, ao mesmo tempo, fortalecer a obstinação dos fiéis da IURD com a "teologia" desta igreja e aumentar o preconceito do restante da população brasileira com as igrejas protestantes, sejam elas "sérias" ou não.

Hoje pude sentir na pele os impactos desta guerra bem perto: Em meu trabalho, um colega de trabalho, católico, afirmou categoricamente que, para ser protestante, você é "obrigado" a dar o dízimo, ou não pode ser membro da igreja. Cristãos protestantes sérios sabem que isso não é verdade, pois o dízimo, apesar de ser uma contribuição bíblica para o sustento da obra de Deus, não é fator decisivo para filiação de membros a uma igreja. Tal oferta é, nas igrejas sérias, totalmente voluntária, sendo um propósito feito pelo homem com Deus, uma forma dele reconhecer a soberania de Deus em sua vida e uma devolução de bom grado de parte de seu rendimento (em geral 10%), e tal propósito não cabe julgamento de nenhuma instância humana. Porém, a forma como este colega de trabalho falou certamente reflete a visão de milhões de brasileiros, que agora ficarão mais resistentes ao evangelho, que costuma estar dentro dos lares destas pessoas sem elas saberem, na forma de bíblias abertas de forma supersticiosa.

Enfim, para quebrar esta situação, ou ao menos reduzir seus impactos, cabe a nós, cristãos sérios, orar, pregar o verdadeiro evangelho (um evangelho de abnegação, de humildade e de amor ao próximo) e esperar a ação da justiça divina. E se estes forem os fins dos tempos e a IURD for o protótipo da apostasia da igreja, como relatado em Apocalipse, então resta-nos clamar por Cristo e resistir, como testemunhas fiéis de Jesus Cristo, às tentações e armadilhas do inimigo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

No Limite - Episódio 5

Hoje o dia foi puxado, com bastante trabalho. Neste momento, estou relaxando um pouco, me preparando para amanhã. Em geral, dias de mensagem são os dias mais estressantes para mim, pois quero sempre estar aberto à ação do Espirito Santo, esperando que ele possa me abençoar com uma palavra que faça diferença na vida dos irmãos. Ao mesmo tempo, fico mentalizando o esboço que já preparei, para na hora não precisar olhar muito para ele. O objetivo é manter a mente aberta para novas ideias, ilustrações que ainda não lembrei ou novas abordagens do texto.

Em todo caso, agora pude parar para meditar sobre o episódio de ontem do programa No Limite. Uma coisa que notei foi a falta de competitividade das moças escolhidas para o programa. É impressionante o fato de duas haverem desistido e uma terceira ter quase pedido para sair, esperando apenas o resultado da votação. A produção deve estar muito irada com suas escolhas, e eu fico imaginando se alguém irá perder o emprego na equipe de seleção deste programa.

Eu digo porque fica a impressão, vendo o episódio, que a única moça que não entrou no jogo para aparecer foi a Índia, o que já me faz respeitá-la imensamente. Parece-me que várias moças entraram com o espírito de Big Brother, ou seja: Vamos aparecer, mostrar nossos corpos e, assim, fechar um contrato com uma revista masculina. É claro, a própria produção tem culpa no cartório ao fazer uma seleção pensando nisso. Basta ver uma imagem de uma das tribos, onde 4 moças aparecem convenientemente enfileiradas, mostrando-se pras câmeras, enquanto um rapaz (Rafão? Não lembro...) nota a comicidade da cena. Sendo assim, creio que a seleção pecou tremendamente no lado feminino da competição. Se tivéssemos mais umas 3 Índias, porém, poderíamos ter um jogo mais "fierce" do lado feminino (aproveitando a gíria de America's Next Top Model, um dos reality shows favoritos da galera que visitava a Reality Center).

Em todo caso, hoje estou bem feliz, com o fato do jogo ter mudado. Pra mim, No Limite/Survivor só é um jogo legal com votação interna. Ele torna a competição mais interessante de ver, pois os jogadores são obrigados a pensarem estrategicamente. E aqui entra a pergunta: Como ser estratégico de forma cristã em uma competição onde os próprios competidores se eliminam? Esta pergunta é praticamente impossível de responder, e provavelmente não exista uma fórmula para fazê-lo. Em todo caso, posso dizer que a melhor forma de se competir em Survivor sem ferir a ética é:

1ª fase: Eliminar os mais fracos
2ª fase: Eliminar os mais fortes/ganhar imunidades individuais

Na segunda fase do jogo, também acho aceitável a formação de alianças, desde que não sejam baseadas em mentiras. É claro, formar alianças fortes que cheguem longe no jogo é praticamente impossível se não houver mentiras e ocultações de informações por parte dos interessados. Entretanto, se você está disposto a lutar para chegar ao grande prêmio de 1 milhão de reais, será preciso que você venda um pouco (ou muito) de sua integridade para fazê-lo. E aí entra a questão: O cristão deve sacrificar sua integridade para vencer o programa? Eu digo que não. Se o fizer, estará pecando, e o dinheiro pode acabar tornando-se maldição em sua vida.

Bom, tirando o papo evangelical um tanto do caminho, resolvi repensar o jogo e como ele ficaria, agora. Antes de poder tirar conclusões, eu tive acesso ao blog do Zeca Camargo, na Globo.com, e ele comentou sobre como viu as faces de Bia, Marcelo e Rafão mostrarem preocupação. Isso é perfeitamente justificável:

1) É possível que Bia estivesse contando de chegar à segunda fase e usar sua fraqueza como arma nas votações finais, falando que era uma vitória ela chegar tão longe. Agora, ela precisará ralar para sobreviver à primeira fase, pois as equipes só devem se fundir quando tiverem 10 ou 12 competidores. Até lá, ainda cairão 2 ou 3 jogadores da tribo Manibu, e a fraqueza certamente será a carta na manga da primeira votação. A Bia, portanto, torna-se o primeiro alvo fácil da tribo.

2) O Marcelo mostrou várias rusgas com o grupo, em especial por conta de sua vontade de querer fazer as coisas do seu jeito. Suas posições incisivas causaram a irritação de vários jogadores, que viram nele uma figura autoritária e má-perdedora. Neste sentido, por conta de problemas de relacionamento, Marcelo pode ter que abandonar o programa em breve. Somente com boas performances em algumas provas, ele conseguirá avançar.

3) O Rafão tem um problema mais sério nas mãos: Desvincular-se do relacionamento com a Jéssica. Casais são alianças fortes neste jogo, e todos os outros jogadores podem querer quebrar os laços dos dois durante o programa. Além disso, Rafão poderia estar contando, como eu notei antes e o Zeca comentou em seu blog, de seu romance com Jéssica cair nas graças do povo, o que permitiria que ele ficasse na competição caso fosse indicado várias vezes ao paredão. Agora, as coisas mudam, pois ele é apenas o jogador mais forte fisicamente do programa. Resultado: Na fusão das duas tribos, se ele não pegar uma imunidade individual, será o PRIMEIRO alvo de todos os jogadores para tirar da competição. Resultado: Rafão precisará, para ONTEM, de uma aliança para se manter na competição.

Pensando nisso tudo, a saída para estes jogadores poderia ser formar uma "aliança dos desesperados": Rafão, Jéssica, Marcelo e Bia. Traria também uma quinta roda, para a fusão, para não haver problemas na votação. Depois de conseguir duas eliminações do outro lado, eliminaria a quinta roda e manteria o núcleo até a final. Para Rafão e Marcelo, seria uma boa, pois as chances de bater as duas moças em provas de resistência na final seriam ótimas. Para Bia e Jéssica, seria uma chance de chegarem mais longe na competição e, quem sabe, se aproveitarem do fato dos homens estarem mais debilitados no final do jogo. Se bem que, com este monte de festas e presentes nas provas, os jogadores vão acabar saindo mais gordinhos do jogo... Rsrsrsrs.

Enfim, domingo certamente será mais legal. Quero ver agora como as tribos irão se alinhar, com estas novas regras. Certamente as intrigas aumentarão, e poderemos analisar melhor o jogo.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Preparação para mensagem

Hoje, estou terminando de me preparar para a mensagem que irei ministrar no Congresso Jovem da Segunda Igreja Batista do Grajaú. O tema do referido congresso é "Jovens que fazem diferença", com a divisa extraída de Mateus 5.13,14. O tema da minha mensagem será semelhante ao que estava pensando para o Congresso Jovem da PIB do Grajaú. Eu pretendo lançar o esboço da mensagem aqui, após o culto.

Geralmente, a preparação de uma mensagem leva bastante tempo, porém Deus não só concede a mensagem como ajuda na hora de prepará-la. Quando a mensagem vem Dele, você sente, porque as ideias começam a fluir em sua mente e você se sente angustiado para colocá-las no papel. Os versículos, eu costumo pegar na Bíblia Online, pois geralmente possuo os versículos parcial ou completamente memorizados, porém a referência me escapa. Só costumo utilizar textos cujo contexto se enquadre com a mensagem que pretendo ministrar. Nada de alegorias! Por isso, adoro textos sapienciais: Não há nada melhor para uma palavra de sabedoria do que um texto de sabedoria.

Para a mensagem deste fim de semana (uma mensagem temática), minha ordem de trabalho foi: Receber a mensagem (após os devidos momentos de oração, claro), buscar o texto base, fazer a ligação com o tema que queria passar e meditar profundamente nos diversos tópicos que queria passar. A ideia foi contrabalançar tópicos modernos com textos bíblicos.

Hoje, irei meditar sobre possíveis ilustrações e enriquecer a mensagem. Entretanto, esta parte é bem interessante, pois Deus costuma agir em mim na hora da mensagem nesta área. Muitas vezes, ilustrações e comparações que eu não havia pensado antes me vêm à mente no momento em que a mensagem é ministrada. Porém, deve-se tomar cuidado para não se desviar completamente do tema da mensagem elaborando a ilustração.

Após o culto em que ministrar a mensagem, pretendo colocar o esboço aqui, em conjunto com o motivo do texto e um outro post sobre minha visão com relação à ação do Espírito Santo na mensagem. Como vocês podem ver, sou um tanto tradicional neste ponto, mas talvez os surpreenda mais pra frente. :)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

No Limite - Episódio 4

Vergonha. Esta é a palavra que pude usar para definir o episódio deste domingo de No Limite. A série está sendo derrotada no IBOPE pelo programa "A Fazenda", da Record (na reta final, com apenas 4 participantes). O apelo popular das votações não chegam aos pés do apelo das votações do BBB (forçando a produção a mudar as regras, retornando à votação interna para eliminação de jogadores, o que acaba de vez com a frescura na hora de jogar). E, por fim, quatro jogadores foram eliminados do programa, em uma mudança brutal com diversos motivos e potenciais de análise.

Primeiro, a eliminação de João. Este jogador foi vítima das circunstâncias: Eleito pela tribo como o mais fraco, foi pro paredão com um jogador até então visto como forte. Como não estamos vendo um BBB, não houve tempo pro público digerir o jogo que Filipe estava começando a montar e isso acabou evitando que a votação virasse. O percentual foi estreito (53%), mas o voto da tribo prevaleceu, como deveria ter acontecido.

Em seguida, falemos sobre a eliminação de Luiz. Eu não conheço corridas de aventura profundamente, porém sei que são provas que duram vários dias, com competidores dormindo muito pouco, às vezes, para conseguir vencer. Trilhas, natação, mountain bike... A quantidade de contusões é absurda, e uma medicação urgente certamente torna-se necessária, em caso de acidente em área de remoto acesso. Entretanto, imagino que os competidores devem ter sido várias vezes lembrados de que não poderiam levar consigo remédios, o que torna a justificativa de Luiz, de que ele teria esquecido que havia guardado os remédios em seu tênis, menos plausível. No entanto, sem provas, é impossível contradizer a colocação do rapaz, podendo-se, apenas, conjecturar sobre sua plausibilidade.

Por fim, as saídas de Sibele e Denise foram surpreendentes, pois as moças pareceram vencidas pelas pressões do jogo. Uma afirmou estar desistindo por conta de fome. A outra afirmou não querer explodir no programa e partir pra agressão com alguém. A produção não pareceu acreditar na justificativa das duas, no entanto, assim como no caso de Luiz, não há como contestar a justificativa das moças, apenas conjecturar sobre sua plausibilidade. Na situação em que o jogo se encaminhava, as duas não eram, de fato, favoritas a vencer o jogo.

Agora, vamos falar sobre as novas regras, pois elas mudam completamente a situação do programa. Com votação interna, os jogadores podem passar a armar votos para guiar a competição em seu favor sem medo das consequências da ira do público. Com isso, o jogo fica muito mais interessante. Porém, as questões morais serão muito mais relevantes, agora. É moral um jogador montar uma aliança para continuar no jogo? É moral um jogador mentir para outro para avançar na competição? Vale tudo por R$ 1.000.000,00? Estas são as questões que serão levantadas nas próximas semanas, tornando o programa bem mais interessante.

O que podemos ver, porém, é que as tribos estão ainda bem equilibradas, e somente avançando-se um pouco mais no jogo, poderemos ter uma ideia sobre que jogadores terão mais chances de vitória. Com votação interna, os homens se tornam favoritos, se firmarem alianças fortes. As moças, neste ponto, serão mais passíveis a montar alianças para avançarem no jogo, e os homens podem querer se eliminarem para evitar enfrentar competidores fortes na segunda fase do jogo, quando as tribos se fundirão. Porém, a lei deste programa é simples: A tribo que chegar na fusão em vantagem, leva o jogo. Se ambas as tribos chegarem com números iguais, aí o jogo fica totalmente aberto, dependendo muito das estratégias e viradas de jogo.

Bons tempos virão no Ceará. Resta saber o quanto.

domingo, 9 de agosto de 2009

Satanás é a "estrela da manhã"? (Ref.: Is. 14.12-15)

Hoje foi dia de aniversário lá na PIB do Grajaú. Desde a manhã, foi um dia incrivelmente abençoado para todos os presentes. Entretanto, o dia foi ainda mais interessante para mim por conta de uma dúvida levantada por uma adolescente, que acabou alterando o momento de louvor durante o culto matutino.

Tudo começou após o começo do culto. Pretendíamos entoar o louvor "Estrela da Manhã", um louvor antigo, porém com uma letra muito bonita. Enquanto o pastor se preparava para a oração inicial do culto, já dando as boas vindas a todos os presentes, uma das jovens participantes da equipe, que não estava na escala, me fez uma pergunta que me surpreendeu: Ela teria ouvido que esta "estrela da manhã" seria uma definição para Satanás, na Bíblia. Na hora me surpreendi, pois não me lembrava de nada do tipo na Bíblia. Então ela me mostrou sua Bíblia comentada, apontando para Isaías 14.12-15. Aquela Bíblia afirmava, com todas as letras, que "Estrela da Manhã" era Lúcifer, o anjo que tentou tornar-se acima de Deus.

Totalmente desconsertado, imediatamente suspendi a música do louvor, levando-me a investigar este termo. Foi-me bem lembrado que o termo "estrela da manhã" aparecia diversas vezes no Novo Testamento, o que me levou a fazer uma pesquisa apurada sobre o termo e sobre Isaías 14. Aqui estão os passos e resultados desta pesquisa:

1º Observar os originais: Com 3 anos de seminário, um aluno já é capaz de ir nos originais e identificar alguns termos, com ajuda de dicionários e outras ferramentas, que identifiquem o original daquele termo. O termo no hebraico é "hilel", que pode ser traduzido literalmente como Vênus, "o que brilha" ou "estrela da manhã". O termo é enigmático, e, tirando todo o texto fora de contexto, realmente sua interpretação parece dar margem a ser Satanás. Vejamos o texto:

12 Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!
13 Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte;
14 subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.
15 Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo.

Existia um passo mais simples para tirar esta dúvida. Porém, acabei dando uma volta completa para tal. Vamos refazer estes passos:

2. Analisar outras instâncias do termo na Bíblia.

Como sempre associamos Jesus Cristo à "Estrela da Manhã", ao cantar o cântico (totalmente de adoração), fomos atrás do termo no Novo Testamento. Existem três textos com estes termos:

2 Pd. 1.19: Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração...

Neste versículo, "estrela da alva" está com o termo "phosphoros" no texto grego original. É um termo usado para se referenciar a Vênus, ou a Estrela d'Alva como a conhecemos nos dias de hoje.

Ap. 2.28: ...assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã.


Neste versículo, os termos no original estão separados para "estrela" e "manhã". O problema de comparar Jesus à estrela da manhã aqui é que as palavras são do próprio Jesus, segundo a revelação de João.

Agora vem o versículo de onde certamente o autor tirou o termo para sua música e de onde o conhecemos:

Ap. 22.16: Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã.


Neste versículo, é bem claro: Jesus se entitula como a "Estrela da Manhã". O adjetivo "brilhante" é apenas um qualificador de um termo triplamente composto, no original: "a brilhante", "a estrela", "a manhã".

Tendo este último versículo em vista, precisamos nos curvar ao tema da música. Ela estaria correta: Jesus é a "Estrela da Manhã", na Bíblia. Este qualificador tem inúmeras conotações teológicas, que todos podem conferir em seus comentários, por isso não entrarei nesta questão, pois meu objetivo tornou-se entender a seguinte aparente contradição bíblica: se a "Estrela da Manhã" é Jesus, como poderíamos interpretar a "Estrela da Manhã" de Is. 14.12-15 como Satanás?

Nesta hora, lembrei-me de minhas aulas com o Prof. Osvaldo, de Exegese do AT, e dos professores Dionísio e Enildes, de Metodologia Exegética do NT. Todos sempre fizeram questão de enfatizar o seguinte:

O Antigo Testamento, antes de ser polissêmico, tem um sentido histórico para o povo da época. A Palavra de Deus deve ser encontrada no sentido histórico do texto, ou seja, o motivo pelo qual o autor escreveu aquele texto naquela época.

É claro, eu creio na visão polissêmica da Bíblica, ou seja, que alguns textos proféticos contêm interpretações para a própria época e para uma era posterior. Se não fosse assim, jamais poderia crer, como cristão, que o Antigo Testamento revela, em muitas partes, a vinda de Jesus Cristo, o consumador da lei.

Tendo isto em vista, eu me perguntei: E o contexto histórico do texto, qual era, quando Isaías o escreveu? Não sou um especialista ou doutor em AT, porém não é preciso sê-lo para ler exatamente o que está escrito na perícope completa do trecho, que era o que deveria tê-lo feito desde o começo. Confesso que, antes de fazê-lo, ainda fui buscar informações e diálogos sobre o trecho em vários comentários, tanto em minha biblioteca quanto na internet. Enfim, leiamos a perícope inteira, que vai do v. 4 ao v. 23. A versão é a Almeida Revista e Atualizada da Bíblia Online (www.bibliaonline.com.br):

4 ¶ então, proferirás este motejo contra o rei da Babilônia e dirás: Como cessou o opressor! Como acabou a tirania!
5 Quebrou o SENHOR a vara dos perversos e o cetro dos dominadores,
6 que feriam os povos com furor, com golpes incessantes, e com ira dominavam as nações, com perseguição irreprimível.
7 Já agora descansa e está sossegada toda a terra. Todos exultam de júbilo.
8 Até os ciprestes se alegram sobre ti, e os cedros do Líbano exclamam: Desde que tu caíste, ninguém já sobe contra nós para nos cortar.
9 O além, desde o profundo, se turba por ti, para te sair ao encontro na tua chegada; ele, por tua causa, desperta as sombras e todos os príncipes da terra e faz levantar dos seus tronos a todos os reis das nações.
10 Todos estes respondem e te dizem: Tu também, como nós, estás fraco? E és semelhante a nós?
11 Derribada está na cova a tua soberba, e, também, o som da tua harpa; por baixo de ti, uma cama de gusanos, e os vermes são a tua coberta.
12 Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!
13 Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte;
14 subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.
15 Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo.
16 Os que te virem te contemplarão, hão de fitar-te e dizer-te: É este o homem que fazia estremecer a terra e tremer os reinos?
17 Que punha o mundo como um deserto e assolava as suas cidades? Que a seus cativos não deixava ir para casa?
18 Todos os reis das nações, sim, todos eles, jazem com honra, cada um, no seu túmulo.
19 Mas tu és lançado fora da tua sepultura, como um renovo bastardo, coberto de mortos traspassados à espada, cujo cadáver desce à cova e é pisado de pedras.
20 Com eles não te reunirás na sepultura, porque destruíste a tua terra e mataste o teu povo; a descendência dos malignos jamais será nomeada.
21 Preparai a matança para os filhos, por causa da maldade de seus pais, para que não se levantem, e possuam a terra, e encham o mundo de cidades.
22 Levantar-me-ei contra eles, diz o SENHOR dos Exércitos; exterminarei de Babilônia o nome e os sobreviventes, os descendentes e a posteridade, diz o SENHOR.
23 Reduzi-la-ei a possessão de ouriços e a lagoas de águas; varrê-la-ei com a vassoura da destruição, diz o SENHOR dos Exércitos.

Os trechos que identificam claramente o alvo do autor do texto estão destacados acima. Observemos todos:

1) v.4: O autor claramente aponta para um texto profético contra o rei da Babilônia. Deus manda o profeta enviar uma mensagem futura para o rei babilônico, notando sua queda.

2) v.11: O texto fala em uma "cova", algo que é mais fácil ler literalmente do que alegoricamente. Pode-se alegorizar esta "cova" como o inferno? Sim, pode-se. Mas aí, também podemos alegorizar o restante da Bíblia e aceitar todas as suas interpretações, algo que nenhum teólogo sério aceita tranquilamente.

3) v.15: "Reino dos mortos" pode ser entendido como inferno? Sim. Porém, o texto aqui é a tradução do termo "Sheol", um termo de difícil tradução teológica. Em todo caso, vale notar que cria-se, no antigo Israel, que todos os mortos iriam para o "Sheol".

4) v.16: O profeta se pergunta se este rei era o "homem" que atormentava o mundo conhecido. Supondo que Satanás é o anjo caído que imaginamos (Ez. 28, conforme interpretação alegórica, também), ele não pode ser este "homem" listado aqui em Is. 14.

Desta forma, considerando que este "rei da Babilônia" era um homem, precisamos nos voltar ao contexto histórico e entender a religiosidade daquela região. E, neste link, um clássico estudo sobre a religião babilônica, podemos ver que os reis, por serem considerados filhos dos deuses, tomavam para si qualidades divinas, o que poderia levar algum rei específico a, sim, querer se elevar à posição de Deus.

Precisamos considerar, também, que a religiosidade antiga era regida por uma "divindade da terra", onde o poderio de um deus era ditado pela quantidade de vitórias que dava a seu povo. Uma vitória em batalha era sinal do favor daquele deus. Uma derrota era sinal de fracasso do deus ou de aprisionamento, por meio de encantamentos, por parte do outro povo, daquela divindade. O livro "Cidade Antiga", de Fustel de Coulanges, é um clássico sobre o assunto, e leitura obrigatória em aulas de História do Cristianismo I.

Levando-se todas estas fontes em questão, podemos definir que o "rei da Babilônia" descrito em Isaías 14 era, certamente, um governante existente, que estaria tentando assumir para si um caráter divino, por conta de suas inúmeras conquistas militares e poderio imperial. Neste sentido, então, estamos devidamente embasados para reler Is. 14.12

v. 12: Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva!

Leia a frase acima em voz alta. Leu? Agora leia esta mesma frase em tom de IRONIA. Perceberam? O profeta estava criticando o referido rei, ironizando o seu postulado de querer se colocar como um deus acima dos outros deuses. Ele provavelmente utilizou termos que o próprio rei se atribuiu para ironizá-lo e mostrar que seu fim havia chegado, em um futuro escatológico.

Chegando a esta conclusão, posso tranquilamente interpretar os versículos do Novo Testamento como Jesus Cristo sendo a REAL Estrela da Manhã, aquele que está acima de todos os seres existentes, criados, sejam terrenos ou celestiais, e acima de cujo nome não se pode chegar nenhum nome. As interpretações para Ap. 2.28 são diversas, não entrarei no âmbito da questão aqui, porém é certamente em Ap. 22.16 que podemos nos embasar para aceitar a teologia da música como correta.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Minha cabeça hoje

Bem, senhores, hoje foi um dia de descanso, ante o fim de semana pesado que está surgindo no horizonte. Os próximos dias serão de mudanças, de novidades e de grandes eventos na vida deste pequeno seminarista.

Para começar, amanhã estaremos realizando o primeiro evento da Juventude da PIB do Grajaú em um bom tempo. Devido às mudanças em nossa igreja no primeiro semestre, acabamos paralisando todas as atividades, até em boa parte por culpa nossa. Porém, após algumas conversas, estaremos com força total nesta semana, trabalhando para a obra. Começamos com um cinema básico na igreja, com pipoca e guaraná, e estenderemos as atividades a partir daí. A ideia é juntar atividades sociais com espirituais, começando cada atividade com uma capela, para depois entrar na atividade. Creio que vá ser muito legal.

Domingo, teremos o aniversário da PIB do Grajaú, no culto da noite. A coisa tá tão importante que vai ter até púlpito novo, de acrílico, por lá. Rsrsrsrs. Para não sobrecarregar o pessoal da igreja, este será o primeiro ano que me lembro que o aniversário da igreja não será comemorado no próprio dia (8 de agosto). Creio que será pro bem da igreja, especialmente por causa da pequena quantidade de pessoas para trabalhar, ainda.

Segunda estou retornando ao trabalho, mas a faculdade continuará parada, por conta da gripe H1N1. Isso vai facilitar bastante a minha vida, pois poderei retomar as atividades aos poucos, sem começar com um tranco muito forte, que poderia me deixar exausto já nos primeiros dias de trabalho. Desta forma, creio eu, terei condições suficientes para me organizar, dando ainda tempo para ler bastante e preparar a mensagem que levarei ao Congresso Jovem na Segunda Igreja Batista do Grajaú, na Nova Divineia.

Enfim, como podem ver, minha cabeça está a mil. Orem por mim, pois o bicho vai pegar nos próximos dias. :)

No Limite - Episódio 3

Vamos ter que voltar ao básico. Esta foi minha conclusão ao analisar a votação do último episódio de No Limite. O motivo é simples: O povo não se enfureceu como eu esperava com o esquema para eliminar o Ronaldo.

Aliás, uma das características deste No Limite, a meu ver, é que o povo não parece ainda muito interessado em votar nas eliminações. A prova seria as votações nos portais Terra e UOL. Em ambos os sites, o total de votos foi 1/100 dos votos em um paredão normal do BBB. Com isso, me parece que o público está meio perdido com relação a quem é quem no programa, não vendo interesse nas votações.

Neste sentido, entra a carta do "Voto em quem o grupo votou". A votação do grupo costuma ter mais argumentos do que a do líder, levando aqueles que querem votar por votar acabarem votando em quem o grupo votou. Pode parecer uma lógica simplista, mas eu acho que se manterá o padrão por pelo menos alguns paredões.

Eliminando-se a votação do público do caminho, pois ela segue os votos do grupo, precisamos analisar as dinâmicas dos grupos como um programa Survivor comum. Neste sentido, Rafão se colocara em uma excelente posição, fechando uma aliança com duas moças, sendo uma a Jessica, seu par amoroso no jogo. Aliás, casais tendem a ser a aliança mais sólida deste jogo, românticos ou não. O motivo é simples: Qualquer boa aliança deve envolver gente dos dois gêneros, para ficar equilibrado no final.

Com a tribo Manibu agora com 9 jogadores e apenas 8 no próximo Portal, é bem possível que Rafão consiga se estabelecer como a força dominante dentro de sua tribo. Sua força física dá a ele argumento para sua permanência na primeira fase do jogo, antes das tribos se fundirem. Porém, ele deverá tomar cuidado, especialmente quando a tribo chegar a sete pessoas, pois ele ainda precisa de mais duas pessoas para formar uma aliança imbatível neste jogo.

Já na tribo Taíba, as coisas ficaram complicadas hoje. Em uma notícia que estourou agora a noite, duas participantes desta tribo, Sibele e Denise, abandonaram a competição. Os motivos só serão disponibilizados no episódio de domingo do programa, mas creio que os fóruns especializados já devem estar pipocando com informações sobre este motivo. A saída das duas, porém, enfraquece demais a Índia, pois sua forte aliança feminina se desfez. Isso forçará a ela e a Sandi a se virarem para conseguir encontrar parceiros de votação.

Enfim, será preciso pensar se a Globo irá compensar a saída das duas moças do programa. Não creio que será necessário, até porque o número alto de competidores deste programa já devia prever desistências. Porém, se a produção acertou direitinho o número de episódios com o número de eliminações, então é bem provável que tenhamos gente nova entrando no programa, já que encurtar o programa seria um tiro no pé, por conta dos contratos com patrocinadores.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Aula da EBD - 2/8 - Mateus 5:29-35

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Bom, gente, como uma forma de aumentar o conteúdo do site, estarei colocando aqui, também, alguns esboços de aulas e mensagens, além de trabalhos que preparei ou prepararei para a faculdade. A ideia é ajudar os colegas seminaristas ou aqueles que estão pensando no futuro em sê-lo com ideias para seus trabalhos e atividades.

Esta aula foi realizada de acordo com a divisão da revista Atitude, da JUERP, literatura adotada em minha igreja, a PIB do Grajaú:

Aula EBD 02-08-2009

Texto: Mateus 5.29-35

Esquema da seleção da revista: 3 temas

Tema 1: Os sentidos que moldam o caráter. v. 29s.
Tema 2: Perenidade do casamento. v. 31s
Tema 3: Cumprimento de juramentos (compromissos). v. 33ss.

Tema 1: v. 29s

29 Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.
30 E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.

O paralelismo dos textos e a orientação a um de dois órgãos duplos denota uma linguagem figurada. O objetivo de Jesus não era ordenar que tal ato fosse realizado literalmente, mas alertar que os sentidos do corpo, mal usados, poderiam levar o homem à destruição.

Sabemos que os olhos são a lâmpada para o corpo. Jesus disse que, se os olhos fossem bons, o corpo seria bom, mas se os olhos fossem maus, o corpo seria trevas (Lc. 11.34-36). Desta forma, a mensagem de Jesus prima por uma santificação do corpo a partir dos sentidos.

Outro detalhe é o fato de que Jesus cita partes do corpo que são duplas, e ordena que sejam arrancadas. Isso significa que o homem pode ter áreas de sua vida que causem tropeço, mas isso não invalida o homem por completo. Tratando a raiz do mal, a fonte do tropeço, liberta o homem do próprio mal.

Por fim, Jesus cita especificamente a mão direita, que pode ser alusão à mão hábil da grande maioria dos homens. Poderíamos especular que o homem deve tomar cuidado com seus atos/ações que causem tropeço, pois eles também podem levá-lo ao inferno.

Nota: Estudiosos judeus da época criam que o indivíduo ressuscitaria da mesma forma que morreu, com ou sem órgãos. Desta forma, Jesus resgata a imagem para se fazer entendido.

Nota 2: O que é melhor? Deixar o prazer temporário para trás ou sofrer eternamente pelas faltas cometidas?

Tema 2: v. 31s

31 Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
32 Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.

Sabemos que, pela lei, o homem dava uma carta de divórcio para a mulher para permitir que ela recasasse honrosamente (Dt. 24.1). Por conta da sociedade machista, uma mulher não tinha condições de ganhar a vida como solteira, a não ser mendigando ou se prostituindo. Sabemos também por alguns estudiosos que a prática do divórcio era comum na região de Israel e no Império Romano.

Para ensinar seus discípulos e o povo quanto a esta prática, Jesus retoma não só a lei, mostrando que apenas os casos de adultério seriam capazes de separar a união do casal, como também que a separação sem adultério não extingue os laços matrimoniais, fazendo a mulher tornar-se adúltera ao se relacionar com outro homem.

Jesus falaria mais sobre o caso mais tarde (Mt. 19.3-9), e pouco antes menciona que o mero olhar para outra mulher com intenção impura faz com que ele já tenha adulterado com ela (Mt. 5.28). Reforçando a lei sobre o casamento, dando a ele uma visão espiritual, Jesus espera ensinar que a prática do divórcio não é aceitável nos termos que aconteciam na época.

Nota: Aonde começa o direito do divórcio nos dias de hoje? Pode-se contextualizar estes versículos para abrir a possibilidade de divórcio para outras situações, como violência doméstica ou diferenças irreconciliáveis?

Tema 3: v. 33ss

33 Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos.
34 Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus;
35 nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei;

Jesus relembra os judeus sobre a condenação da lei sobre o falso juramento em nome de Deus (Lv. 19.12, Nm. 30. 2, Dt. 23.21). Entretanto, parece que havia uma prática de se jurar por qualquer outra coisa, já que, caso o juramento fosse quebrado, pelo menos o nome de Deus não seria difamado.

Jesus também repele esta prática, dizendo para o homem não jurar de forma nenhuma, citando três garantias de juramento aparentemente comuns na época e notando que elas estão ligadas a Deus (Is. 66.1).

Jesus afirmaria pouco depois que a palavra do homem deve ser “sim, sim” e “não, não”, ou seja, deve sempre almejar cumprir seus compromissos. Como diz o autor da revista, o homem deve “assumir diante da vida posições e atitudes que honrem e dignifiquem [sua] procedência divina”. Sua garantia deve ser sua postura illibada diante da vida, seu testemunho. Sua resposta deve ser sempre verdadeira, correta e honesta.

Nota: Podemos jurar, então, em juízo, ou devemos adotar a postura das Testemunhas de Jeová, que se negam a tal gesto? Resp.: Mt. 26.63s. (conjurar: jurar com, em companhia. No original: adjurar, acusar sob juramento).

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No Limite - Episódios 1 e 2

A participação em um reality show, hoje em dia, foi reduzida a uma ciência exata. A fórmula é complexa, varia de programa para programa, mas existem basicamente dois estilos de programas: Os de votação interna e os de votação externa. No primeiro, os jogadores devem impressionar os colegas de equipe para mostrar seu valor para permanecer na competição. No segundo, os jogadores devem impressionar o público de casa.

Neste "No Limite", porém, vemos uma situação interessante: Ao contrário de um Big Brother, este programa preza pela força física e pela resistência. Aqui, o valor do competidor está em seu valor para ajudar a equipe a enfrentar e conquistar as provas de que participa, diferente do Big Brother, onde o valor do jogador está meramente em sua aparência e aparição pras câmeras. Em "No Limite", não há como se criar personagens, pois as dificuldades do jogo impõem uma queda de máscaras muito mais rápida do que em outros programas. Neste sentido, analisando os dois primeiros episódios da série, já podemos apontar alguns jogadores que estariam jogando corretamente e outros que não estão sendo tão corretos em sua maneira de participar do programa.

Entre os que estão se equivocando muito cedo, podemos apontar Índia e Rafão. O grande erro da Índia foi se envolver em uma trama para eliminar Ronaldo, o integrante mais velho da equipe, com 55 anos de idade. Apesar de ser individualista e não conseguir manter contato com os jogadores, Ronaldo foi alvo de uma combinação de votos para ser eliminado. Em um programa sem votação do público em casa, Ronaldo teria sido eliminado sem grandes confusões, e a edição teria nas mãos a valiosa carta dos "vilões", podendo pintar o grupo que o jogou no Portal, liderado por Índia como tal. Entretanto, com a votação do público, é bem possível que Índia seja eliminada, o seu grupo imediatamente se retraia e caiamos na mesmice do Big Brother, onde ninguém fala quais seus planos com medo da fúria do público.

Já Rafão está cometendo dois erros capitais: Envolver-se em um casal muito cedo e mostrar-se individualista no convívio do grupo. No primeiro caso, a formação de um casal para agradar o público já se mostrou uma estratégia batida nos programas da Globo, algo que o público encarregou-se de destruir no último BBB (Max e Fran demoraram a se envolver no programa e isso tornou o casal interessante). No caso do convívio com o grupo, Rafão envolveu-se em uma confusão durante um almoço, indo pegar mais comida antes que todos os colegas pegassem. Tal atitude, apesar de sua justificativa de que precisa de mais alimento para sustentar seu corpo, pode ser fatal no futuro do programa, especialmente com o público em casa.

A pergunta que podemos fazer, então, é: Como um cristão poderia se dar bem neste começo de programa? Simples: Trabalho! Tanto nas provas quanto no acampamento, um participante que não queira se envolver em intrigas precisa mostrar serviço para, assim, conseguir minimizar as chances dele ser indicado. O que poderia acontecer seria uma indicação por combinação de votos, porém, neste caso, a injustiça seria tão grande que provavelmente tal participante não seria eliminado.

A eliminação de Índia do programa, se concretizar-se, será a primeira a mexer realmente com o programa. Resta ver quais as consequências da saída da moça para o jogo em si, pois é possível que haja uma confusão generalizada no acampamento com sua saída. Será certamente divertido ver o próximo episódio, amanhã.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Meu pequeno pecado - No Limite

Até mesmo seminaristas são pecadores. Eu vou confessar um de meus pecados: Eu amo reality shows! É verdade. Ao contrário da tendência reacionária da maioria dos teólogos brasileiros, que adoram taxar os programas de TV atuais de lixo para baixo, eu gosto de assistir estes tipos de programas. De fato, eu fui o editor do primeiro site brasileiro totalmente voltado para este mercado, a Reality Center, um site que durou 3 anos e que me deixa saudades até hoje. No ápice do sucesso, a Reality Center chegou a ter 1500 acessos únicos e 5000 pageviews diários, com 5 colaboradores e 10 programas sendo cobertos ao mesmo tempo. Cheguei a cobrir 3 Big Brothers estrangeiros ao mesmo tempo, gastando 10 horas de cobertura por dia. Hoje, o arquivo deste site está guardadinho no meu HD, uma pequena lembrança do meu hobby de antigamente.

Enfim, o programa que mais me despertava o interesse na época, e até hoje, era o programa Survivor. Esta série foi a primeira a fazer sucesso nos EUA e conseguiu criar toda uma indústria em torno do gênero. Seu sucesso foi tão marcante que o gênero hoje figura até nos prêmios Emmy, o Oscar da TV americana. O programa era simples: 16 pessoas, 2 times, jogados no meio do mato, sobrevivendo às intempéries e a si mesmos. Duas provas por episódio: Uma de recompensa, outra de imunidade. A equipe perdedora na prova de imunidade ia pro Conselho Tribal, onde eliminava um jogador por voto simples. Após alguns episódios, as tribos eram unidas e era cada um por si. No final, os dois finalistas enfrentavam uma votação dos 7 últimos eliminados. Vencia quem recebe mais votos para vencer (4 de 7 davam a vitória).

Depois de ver as 11 primeiras temporadas da série americana, eu parei de acompanhá-la. A versão nacional, No Limite, da Rede Globo, só teve os primeiros 3 episódios. Era um claro plágio da versão original, a Globo foi processada e o programa nunca mais foi ao ar, até por conta do sucesso do Big Brother Brasil. Entretanto, após 8 anos, a Globo resolveu trazer o No Limite de volta, e eu acabei relutantemente voltando a acompanhar a série. E acabei, como esperado, conquistado.

O programa atual está simplesmente diferente, mais maduro. Afinal, a Globo teve vários anos de Big Brother para aprender a editar o programa. Algumas coisas, ainda não gosto. Detestei a eliminação por voto popular. Sempre achei que No Limite é programa para eliminação dos próprios jogadores. Porém, a edição está perfeita. A trilha sonora é totalmente tirada da série Survivor, tendo músicas da versão americana e da versão inglesa da série. Os jogadores também entraram pensando em ganhar um jogo, em vez de aparecer pras câmeras. Até porque No Limite é diferente de Big Brother, que vence quem aparece mais e melhor.

Enfim, como minha conta da Globo.com me permite acesso aos episódios completos, irei fazer algumas ponderações sobre o programa, para relembrar os velhos tempos. Entretanto, farei minhas críticas como o teólogo que sou, tentando achar um sentido no programa para um telespectador cristão. Perguntas como: Há como um cristão participar de um programa como No Limite? E mais: Há como um cristão GANHAR este programa?

Também colocarei, em breve, os motivos pelos quais eu hoje não assisto mais ao Big Brother Brasil. E posso adiantar: A resposta irá surpreendê-los.

Semana final de descanso

Esta semana está sendo relativamente tranquila para mim. Por causa do adiamento das férias, negociei com meu trabalho a extensão das férias em mais uma semana também. Com isso, estou podendo relaxar, assistir um pouco de TV e alguns filmes, além de adiantar minhas leituras para a monografia. Atualmente estou lendo o livro "Twisted Cross", de Doris Bergen, que faz um relato detalhado e abrangente do Movimento Cristão Alemão, movimento que tentou coadunar a visão antisemita e racista que caracterizou o Nazismo, com o Cristianismo. Este será o sexto livro completo que leio para meu trabalho monográfico. Depois deste, ainda tenho quatro livros para ler, sendo dois em português e dois em inglês, para completar minha pesquisa inicial. Daqui, partirei para escritos originais e livros de referência sobre o período para completar minha pesquisa e iniciar o processo de confecção da monografia.

Outro livro que estou lendo no momento é "As 21 Indispensáveis Qualidades de um Líder", de John C. Maxwell. Este autor é extremamente conhecido por seus livros nesta área, sendo recomendável a todo profissional que exerce algum posto de liderança ou chefia em suas empresas ou comunidades. Maxwell consegue brilhantemente sintetizar seu conhecimento conectando exemplos de pessoas reais de sucesso e histórias de sua própria vida com as devidas colocações sobre o processo de crescimento e amadurecimento de um bom líder. Venho utilizando algumas técnicas aprendidas nos livros de Maxwell e confesso que elas têm me tornado humilde, aceitando o fato que preciso melhorar nesta área e trabalhando para tal.

Enfim, estou aproveitando ao máximo meu período de férias para descansar e investir em mim mesmo. Deus, que é Deus, descansou ao sétimo dia de sua criação. Quem sou eu para não aproveitar meu descanso, também? :)

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