Uma das melhores coisas de voltar às aulas é reencontrar os velhos amigos da faculdade. Uma das coisas menos compreendidas em um seminário é a camaradagem formada entre os alunos que estudam no local. São vários os fatores que levam à usual união entre os alunos de um seminário teológico.
O primeiro, e mais comum, é o internato. No Seminário do Sul, existe um internato com vários prédios, permitindo que dezenas de alunos compartilhem acomodações. Cada aluno solteiro compartilha o quarto com um colega, em um estilo de vida bem americanizado. Além disso, existe um campo de futebol ao lado dos alojamentos e uma sala de jogos ao lado do campo, o que só facilita a interação entre os alunos. Ou seja, nas horas vagas, a galera se vê constantemente.
Em segundo lugar, as turmas pequenas ajudam bastante a integração entre os alunos. Lembro-me da época na UFRJ, onde cheguei a ter aulas em turmas com 60 alunos. Em turmas deste tamanho, é impossível conversar com todo mundo. No Seminário do Sul, as turmas flutuam entre 20 e 40 pessoas, facilitando tremendamente o contato entre os alunos antes, durante e depois das aulas.
Os objetivos comuns também ajudam na integração da turma. Cerca de 80% dos alunos do Seminário do Sul têm o chamado para o Ministério Pastoral. Por isso, os assuntos nas conversas de cantina costumam gravitar entre a vida dos alunos nas igrejas, trabalhos a fazer, projetos, eventos, intercâmbios, etc. As experiências vividas por cada aluno em seus campos de atuação trazem ideias novas para cada um, tornando o papo bem interessante e edificante. (Claro, existem os momentos de bobeira também, mas estes a gente não conta aqui para não queimar o filme. Rsrsrsrs).
Por fim, as dificuldades enfrentadas pelos alunos para conseguirem manter-se no seminário também tornam-se um fator tremendo de união entre os alunos. Mais de 50% dos alunos de minha turma não são internos, o que faz com que a locomoção para o seminário torne-se cansativa. Isto, somado com a carga de trabalho diário que muitos enfrentam, faz com que os colegas de turma se aconselhem, se fortaleçam com palavras de esperança e experiência.
Para se ter uma ideia do escopo deste problema, em minha turma existem três alunos que moram em São Gonçalo e um que mora em São João de Meriti. Os esforços destes alunos para trabalhar, ir pro seminário e depois ir para casa, enfrentando esta luta novamente no dia seguinte, é tremenda. Quase não lhes sobra tempo para estudar, até por conta de suas responsabilidades nas igrejas. Neste sentido, os alunos acabam passando mais tempo com os colegas de turma do que com suas famílias.
Apesar de todas as dificuldades, a vida de um seminarista é extremamente gratificante. A quantidade de conhecimento que você adquire é absurda, ultrapassando o ambiente da sala de aula. O conhecimento adquirido é um conhecimento benigno, de transformação de vidas, de esperança, de força de vontade. No irmão, você se espelha para lutar e conseguir avançar no curso. No final de cada período, o sentimento de dever cumprido alimenta seu desejo de querer rapidamente aplicar seus conhecimentos na comunidade em que se trabalha.
Nos próximos meses, eu pretendo comentar mais sobre a vida no seminário. Afinal, o sentido deste blog é este. Até a próxima.







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