quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Minha nova crise

O mundo é feito de provas. Desde criança, somos doutrinados que a melhor forma de avaliar o conhecimento de um aluno sobre determinado assunto ou matéria é através de uma prova, um grupo de exercícios que o aluno deve responder para provar que apreendeu o conhecimento passado pelo seu professor. Como perfeccionista que sou, é desnecessário dizer que odeio provas, pois é impossível você se lembrar de todo o conhecimento que lhe foi transmitido. Além disto, o conhecimento teórico só passa a ter valor real quando aplicável e aplicado no mundo em que estamos.

É por isto que, nesta segunda-feira, fiquei chocado quando fui sumariamente reprovado em minha prova de direção. Pode parecer besteira, mas a verdade é que eu nunca ficara tão chateado com uma reprovação em prova do que neste dia. E o motivo é simples: Ao contrário das outras, que eram provas teóricas de decoreba de conhecimento, a prova de direção é uma prova prática, onde você deve sintetizar todo o seu conhecimento adquirido para pilotar um automóvel em um breve percurso, que pode até ser fácil, porém que exige bastante atenção.

O motivo da minha reprovação foi simples, porém pode ser filosofado ao método de ensino de um aluno nas autoescolas: Mudando de faixa, não olhei o retrovisor e não vi um carro me cortando pela direita em alta velocidade. Tivesse eu visto o carro, eu teria provavelmente cruzado o percurso sem ser reprovado. Entretanto, ao quase bater no carro ao lado, forçando o examinador a freá-lo, mesmo não sendo culpa minha, descumpri uma norma que me fez merecer a reprovação.

O grande problema de minha prova, no dia, foi que eu basicamente me preparei para a prova prática de direção: Vi e revi um vídeo de um instrutor cruzando o percurso da prova, fiz o percurso no volante em um domingo de manhã, fiz dezenas de balizas ao longo de meses para fazê-la perfeitamente na hora. E, quando vi, fui vítima de um detalhe: Preparar-se para uma prova é diferente de saber dirigir.

A minha visão sobre a minha reprovação é simples: Os instrutores, após ensinarem o aluno a dirigir no trânsito normal, abstraem tudo o que foi ensinado e preparam o aluno apenas para a prova. Na parte da baliza, isso é perfeitamente aceitável, pois a baliza na aula é exatamente igual à baliza na prova: 7 balizas, 5,75m de distância. Entretanto, o trânsito NUNCA é igual, seja na hora da prova ou da aula. Por isso, ao fazer o simulado em um domingo de manhã, não me liguei (e também não fui devidamente lembrado) que haveria trânsito na hora da prova, dos alunos da universidade onde a prova é realizada (no câmpus do Fundão da UFRJ) e de profissionais das empresas que se situam no local. Logo, quando entrei na prova, foi natural eu mudar de faixa olhando displicentemente para o retrovisor, já que, para mim, não havia sido registrada a possibilidade de um maluco ignorante ultrapassando-me pela faixa errada da pista, cometendo assim uma infração grave que lhe caberia multa. Acidentes acontecem, diga-se por sinal, exatamente porque as pessoas não percebem que, no trânsito, a possibilidade de você encontrar pessoas bêbadas, drogadas, sonolentas, malucas ou simplesmente inexperientes atravessando seu caminho são enormes, o que te obriga a prever todas as possibilidades.

Pensando nisto, percebi que a melhor forma de instrução para a prova prática de direção deveria ter envolvido não apenas o trajeto, os pontos de mudança de marcha e os cuidados com carros estacionados, mas também os pontos críticos de onde outros automóveis poderiam surgir, em dias de trânsito normal. E pensando nisto, pensei no percurso da prova e listei VÁRIOS locais de perigo para o motorista que poderiam forçá-lo a tomar decisões ao volante que, se ele tivesse decorado completamente o trajeto a ser realizado na prova, com todos os seus pontos, mudanças de faixa e reduções de marcha, poderiam acarretar em manobras incorretas e reprovações merecidas.

Por isto, penso que uma instrução correta sobre a forma de se realizar a prova do Detran deveria envolver não só as marcações e o percurso a ser realizado, mas também os possíveis pontos de perigo que o aluno poderá enfrentar. Afinal, um dos lemas da Direção Defensiva é que o motorista deve se prevenir preparando o trajeto que irá realizar com antecedência, notando os pontos mais complicados para tentar prever possíveis problemas que possa encontrar.

Talvez, se tivesse sido instruído desta forma, teria sido aprovado. Ou não. Afinal, existem inúmeros fatores que envolvem uma prova, como examinadores carrascos e imperícia natural de pessoas inexperientes (meu caso) na hora de se realizar as manobras. Entretanto, esta reprovação valeu como lição para mim por três motivos:

1) Perceber que o retrovisor tem uma razão de ser no carro.
2) Perceber que malucos aparecem no trânsito quando você menos espera.
3) Perceber que simulado não leva em conta mudanças de trânsito e condições adversas da pista.

Espero que esta breve reflexão sirva para algum futuro candidato a motorista, para quem sabe podermos melhorar um pouco as condições de trânsito em nossa cidade, e ajudar algum colega reprovado a perceber que a reprovação em uma avaliação não é o fim do mundo, é apenas uma oportunidade para se melhorar a perícia e se ganhar mais experiência na condução de um veículo automotor. Quem sabe, também não ajude algum colega a ser aprovado na prova... :)

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